Candidato do PL é investigado em um inquérito aberto em julho pelo STF para apurar possíveis irregularidades no financiamento do filme 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). — Foto: Cristiano Mariz / Brenno Carvalho / Agência O Globo A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se prepara para promover mudanças no tom da propaganda eleitoral diante do cenário de acirramento da disputa eleitoral e da crise institucional provocada pelos embates entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). O reforço na artilharia contra Flávio Bolsonaro (PL), principal adversário de Lula, já deve aparecer na propaganda eleitoral desde sábado. Auxiliares do petista, no entanto, veem efeito limitado em aumentar a ofensiva contra o adversário mirando o financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro. Flávio é investigado em um inquérito aberto em julho pelo STF para apurar possíveis irregularidades no financiamento do filme “Dark Horse”, sobre o seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. A apuração trata de suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas envolvendo recursos ligados a Daniel Vorcaro. Em maio, foi revelado áudio em que Flávio cobra do banqueiro recursos para financiar a obra. O senador nega irregularidades. Apesar de enxergarem a quebra do sigilo de investigações do caso Master como um respiro num momento em que a campanha está sob pressão, integrantes do núcleo da campanha se dividem sobre o efeito prático que isso poderá trazer para o petista. Diante disso, deverão tratar o tema de forma mais enfática. Nesta sexta, o coordenador da campanha, Edinho Silva, afirmou que a quebra do sigilo, ainda que parcial, aponta Flavio como interlocutor direto de Daniel Vorcaro. "Flávio mentiu ao negar que tivesse pedido dinheiro. Depois, foi pego na mentira com um áudio em que chama o banqueiro de “irmãozão”. O que mais Flávio Bolsonaro esconde?" Diante de pesquisas da campanha, interlocutores de Lula veem um cenário em que revelações sobre Dark Horse já estejam precificadas entre o eleitor indeciso, que tem migrado para o senador nas últimas semanas. É esse segmento que vem sendo disputado entre Lula e Flavio Bolsonaro. Levantamentos mostram que o eleitor que é pendular, já conhece o histórico denúncias contra Flavio Bolsonaro, e que opta pelo senador em rejeição a Lula. Por isso, a campanha deve explorar diversas suspeitas que recaem sobre Flavio, como rachadinhas e relações com pessoas envolvidas com crime organizado. Por outro lado, alguns aliados de Lula avaliam que a divulgação dessas informações poderá reverter o momento de pressão da campanha petista. A mudança de tom em relação a Flavio foi um dos temas discutidos na reunião da executiva do PT nesta quinta. Segundo relatos de participantes, integrantes da direção da legenda defenderam um embate mais direto com Flávio Bolsonaro. O presidente do PT, Edinho Silva, afirmou que a mudança de postura virá diante da nova conjuntura política. — Em dez dias, o debate político no Brasil mudou. Evidente que a campanha tem que se alinhar a essa conjuntura política, se a realidade muda, a campanha tem que estar alinhada. Essa discussão ocorre no momento em que a crise institucional sem precedentes no STF está gerando prejuízos eleitorais para Lula e a campanha tenta reagir ao cenário de empate técnico apontado pela última pesquisa Quaest, de 7 de setembro, que mostra Lula e Flavio Bolsonaro com 41% no segundo turno. A avaliação de aliados do petista é que a campanha vinha adotando tom morno e com uma certa demora para responder aos temas do momento. Segundo esse raciocínio, a postura era mais defensiva, sem conseguir pautar o debate. A expectativa agora é de um endurecimento do discurso e ênfase nas diferenças entre os projetos de Lula e de Flávio. A crítica se estendida ao tom adotado pela campanha petista nas inserções e nos programas eleitorais divulgados no rádio e na televisão. Um interlocutor frequente de Lula diz que os roteiros eram burocráticos, de difícil compreensão e sem dialogar com a realidade das pessoas. O ministro José Guimarães (Secretaria de Relações Institucionais) acompanhou o começo da reunião na quinta. Ele afirmou, ao deixar o local, que defendeu uma postura de "radicalismo" da campanha. — A partir de agora é ir numa linha de radicalismo que a conjuntura exige, é ir para o enfrentamento. Nas ruas e mudança no programa de TV.
Campanha de Lula amplia artilharia contra Flávio, mas identifica efeito limitado de 'Dark Horse'
Candidato do PL é investigado em um inquérito aberto em julho pelo STF para apurar possíveis irregularidades no financiamento do filme







