Campanha do senador afirma que quebra do sigilo do caso, determinada pelo presidente do STF, Edson Fachin, não altera estratégia de defesa de que dinheiro para filme era privado 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência da República, faz campanha em Juiz de Fora (MG) — Foto: Fabiano Rocha Integrantes da campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) avaliam que a revelação de que o candidato é formalmente investigado no Supremo Tribunal Federal (STF) por suspeitas relacionadas ao financiamento de “Dark Horse” pode provocar desgaste eleitoral, mas, por enquanto, não pretendem alterar a estratégia adotada para tratar do caso. A orientação é afirmar que os recursos destinados à cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro são de origem privada e que não houve irregularidade na participação do senador na busca por investidores para a produção. Os detalhes da investigação, no entanto, provocaram irritação na cúpula do PL e em parte da campanha. Integrantes do núcleo político sabiam que o financiamento de “Dark Horse” era investigado, mas desconheciam que Flávio figurava formalmente como investigado em um procedimento no STF. Aliados afirmaram à reportagem que pretendem cobrar do candidato a falta de um aviso sobre uma informação considerada relevante para a condução da campanha. Pessoas mais próximas ao senador confirmam que ele já sabia da investigação. Apesar do ruído interno, a avaliação no entorno do presidenciável é que a novidade não altera substancialmente o tamanho do problema eleitoral. Além de reforçar a tese da origem privada dos recursos, aliados querem aumentar a pressão pela retirada do sigilo do inquérito das fake news, que permaneceu durante anos sob a condução do ministro Alexandre de Moraes. A aposta é que a abertura dos procedimentos dê munição ao discurso de Flávio sobre supostos excessos do STF contra o bolsonarismo e ajude a reagir politicamente ao avanço do caso “Dark Horse”. A campanha avalia que a participação de Flávio na busca por recursos para o filme e sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro nesse processo já haviam sido reveladas. Por isso, aliados consideram que a confirmação de sua condição de investigado aumenta o peso jurídico do episódio, mas não necessariamente seu impacto político. O entorno do candidato também pretende diferenciar as duas frentes de investigação envolvendo “Dark Horse”. Flávio não foi alvo da operação autorizada pelo ministro Flávio Dino nesta semana, que cumpriu 49 mandados de busca e apreensão numa apuração sobre o possível desvio de emendas parlamentares destinadas a entidades ligadas ao filme. Entre os alvos estavam o deputado federal Mário Frias e pessoas ligadas à produtora Go Up. Na quinta-feira, durante agenda em Roraima, Flávio acusou Dino de “interferência política” e afirmou que não havia “um centavo de dinheiro público” no financiamento do filme. A fala antecipa a linha que deverá ser mantida pela campanha diante do avanço das investigações. Já o procedimento em que o próprio candidato é investigado está sob a relatoria de André Mendonça e tem origem no caso Master. A Polícia Federal pediu a abertura de uma petição sigilosa para apurar a possível prática de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros delitos correlatos por Flávio no contexto do financiamento de “Dark Horse”. A Procuradoria-Geral da República concordou com a medida, e Mendonça autorizou a instauração da apuração em julho. Reservadamente, a equipe jurídica do senador busca minimizar a revelação e sustenta que se trata de uma “notícia velha”, sob o argumento de que a investigação sobre “Dark Horse” já havia sido divulgada em julho. O que não era público até agora, porém, era que Flávio figurava pessoalmente como investigado. O desconhecimento dessa informação por dirigentes do próprio PL é um dos motivos para o incômodo interno. A pressão pela abertura do inquérito das fake news é vista no entorno de Flávio como uma forma de ampliar o debate sobre a atuação do Supremo para além de “Dark Horse”. Com as recentes mudanças na condução de procedimentos antes concentrados no gabinete de Moraes, integrantes da campanha defendem que o conteúdo das apurações seja tornado público e usado para questionar decisões adotadas contra Jair Bolsonaro e seus aliados. Ao mesmo tempo, o candidato pretende preservar Mendonça. Nos últimos dias, Flávio saiu em defesa do ministro em meio à crise provocada por sua decisão de afastar o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e criticou a possibilidade de o Senado avançar sobre um eventual processo de impeachment do magistrado. A descoberta de que foi Mendonça quem autorizou a investigação contra ele não deve, segundo aliados, mudar essa posição.