Em live, candidato afirmou que ministro é “totalmente suspeito” para decidir sobre caso envolvendo o filme e voltou a insinuar articulação política para prejudicar sua candidatura 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O senador Flávio Bolsonaro durante mobilização no Senado para evitar votação da PEC que acaba com a escala 6x1 — Foto: Brenno Carvalho/Agência O Globo O candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, afirmou nesta quinta-feira que sua defesa vai pedir ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, que investigue o ministro Flávio Dino por uma suposta articulação política contra sua candidatura. Em uma live nas redes sociais, horas depois de a Polícia Federal deflagrar uma operação que teve entre os alvos o deputado Mario Frias (PL-SP), Flávio afirmou que Dino é “totalmente suspeito” para tomar decisões sobre o caso e disse que a ação confirma um alerta que vinha fazendo desde a semana passada. — A nossa defesa vai entrar com um pedido junto ao presidente do STF, Edson Fachin, para que Dino seja formalmente investigado por essa articulação política que ele tentou fazer aqui. O Dino a partir de agora é totalmente suspeito para tomar qualquer decisão envolvendo essa questão do filme do presidente Bolsonaro — afirmou. A declaração foi a segunda reação de Flávio à operação ao longo do dia. Mais cedo, durante agenda em Roraima, o candidato já havia classificado a ação como uma tentativa de “interferência política” nas eleições e negado que houvesse dinheiro público no filme sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. — O que tem claramente é uma tentativa de interferência política, mais uma vez, agora, do ministro Flávio Dino sobre as eleições. Qual o fundamento dessa operação? Política — disse. Flávio também afirmou que a investigação terá impacto “zero” em sua campanha e que não haveria irregularidades relacionadas ao filme. — Não tem absolutamente nada de errado com esse filme, não tem um centavo de dinheiro público. Eu já cansei de falar. Pode revirar do avesso, de cima para baixo, de trás para frente, de lado para o outro, de ponta-cabeça, aqui não vai ter nada — afirmou. A operação deflagrada nesta quinta-feira cumpriu 49 mandados em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e no Distrito Federal. Entre os alvos, além de Frias, também está Karina Gama, dona da Go Up, produtora da cinebiografia “Dark Horse” sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.. A investigação, conduzida por Dino, apura suspeitas de desvio de recursos públicos, falsidade documental, lavagem de dinheiro e organização criminosa envolvendo a aplicação de emendas parlamentares ligadas ao filme Flávio não é alvo da operação. Ele aparece, porém, em outra investigação sobre o financiamento de “Dark Horse”, sob relatoria de André Mendonça, aberta a partir do caso Banco Master. Mensagens obtidas na investigação mostraram que o senador pediu a Daniel Vorcaro R$ 130 milhões para financiar o filme, dos quais R$ 61 milhões teriam sido pagos. A acusação de que Dino estaria atuando para prejudicar sua candidatura não surgiu nesta quinta-feira. Em 3 de setembro, Flávio afirmou, sem apresentar evidências, que Alexandre de Moraes e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), teriam articulado com Dino uma ação contra ele com o objetivo de desgastá-lo eleitoralmente. Na ocasião, Flávio afirmou que os dois teriam conversado “longamente” e articulado alguma medida que classificou como ilegal. O candidato não apresentou documentos ou registros que comprovassem a suposta articulação nem especificou qual seria a medida planejada. A reunião entre Moraes e Alcolumbre de fato ocorreu. Segundo a coluna de Malu Gaspar, os dois passaram cerca de três horas reunidos na casa de Moraes, no Lago Sul, em Brasília, em 2 de setembro. O conteúdo da conversa, contudo, não veio a público. Na live desta quinta-feira, Flávio voltou ao episódio e apresentou a sequência dos acontecimentos como um indício de que seu alerta anterior estava correto. Segundo ele, a reunião entre Moraes e Alcolumbre teria ocorrido no dia 2 e, no dia seguinte, Dino teria autorizado a operação. — Andrei foi reintegrado só para fazer a operação de hoje. Se você ver a data, 3 de setembro. Ou seja, dia 2 tem reunião entre Moraes e Alcolumbre, dão ok para o Dino e dia 3 ele autoriza e dá a canetada — afirmou. Flávio não apresentou evidências de que a reintegração do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, tenha ocorrido para viabilizar especificamente a operação desta quinta-feira ou de que a reunião entre Moraes e Alcolumbre tenha tratado da ação. Durante a live, o candidato também criticou a investigação conduzida por Dino sobre emendas parlamentares e questionou a disposição do ministro para apurar outros fatos envolvendo integrantes do Supremo. — Esse processo, que é o novo inquérito do fim do mundo, que está com Dino, para investigar emendas parlamentares. Ele está muito preocupado com a moralidade e com a transparência. Concordo, tem que ser investigado, tem que ter transparência, tem que estar tudo certinho, bonitinho. Mas não vejo a mesma disposição do Flávio Dino para autorizar o Alexandre de Moraes a ser investigado — disse. A ofensiva contra Dino ocorre em meio à crise no STF provocada pelas investigações envolvendo o Banco Master e por decisões conflitantes entre ministros da Corte. Na quarta-feira, Fachin suspendeu decisões de Mendonça e Dino relacionadas à chefia da Polícia Federal e marcou para a próxima terça-feira uma sessão extraordinária do plenário para discutir o caso.
Flávio diz que vai pedir a Fachin para investigar Dino após operação da PF sobre 'Dark Horse'
Em live, candidato afirmou que ministro é “totalmente suspeito” para decidir sobre caso envolvendo o filme e voltou a insinuar articulação política para prejudicar sua candidatura













