O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, afirmou haver indícios de que as investigações sobre o financiamento do filme Dark Horse, que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e contratos de empresas ligadas ao caso fazem parte de um “só sistema delitivo”, alimentado sobretudo por emendas parlamentares.

Na decisão que determinou a transferência de um inquérito da Polícia Civil de São Paulo para o STF, Dino também mencionou “atos interligados até com a facção criminosa PCC”.

Essa referência ao Primeiro Comando da Capital aparece no trecho em que o ministro analisa a necessidade de reunir, sob a supervisão do tribunal, investigações que estavam em diferentes instâncias. Para o magistrado, a possível participação de um deputado federal e a existência de conexões entre os fatos justificam a atuação da Polícia Federal e a concentração da apuração na Corte.

“Friso que há indícios de que se cuida de um só sistema delitivo, alimentado inclusive por emendas parlamentares federais, além da menção a atos interligados até com a facção criminosa PCC, o que pode significar uma dimensão interestadual”, escreveu Dino ao autorizar a Operação Make Up, que cumpriu 49 mandados de busca e apreensão.