Candidato do PL diz que investigação terá impacto 'zero' em sua campanha 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fala com a imprensa após visitar o pai — Foto: Evaristo Sa / AFP O candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, afirmou nesta quinta-feira que a operação da Polícia Federal sobre “Dark Horse”, cinebiografia de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, é uma tentativa de “interferência política” nas eleições. Durante agenda em Roraima, o senador disse ainda que o filme “não tem um centavo de dinheiro público”, embora a ação autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), investigue suspeitas de desvio de emendas parlamentares destinadas a entidades ligadas à produção do longa. — Não tem absolutamente nada de errado com esse filme, não tem um centavo de dinheiro público. Eu já cansei de falar: pode revirar do avesso, de cima para baixo, de trás para frente, de lado para o outro, de ponta-cabeça, aqui não vai ter nada — afirmou. A PF cumpriu hoje 49 mandados de busca e apreensão em quatro estados e no Distrito Federal. Entre os alvos estão o deputado Mário Frias (PL-SP), que destinou R$ 2 milhões em emendas a uma entidade ligada à produção, e a empresária Karina Gama, da Go Up, responsável pelo filme. Flávio não é alvo da operação. O candidato aparece, porém, em outra investigação sobre o financiamento de “Dark Horse”, sob relatoria do ministro André Mendonça e aberta a partir do caso Master. Mensagens obtidas pela investigação mostraram que Flávio pediu ao banqueiro Daniel Vorcaro R$ 130 milhões para o filme, dos quais R$ 61 milhões teriam sido pagos. Ao comentar a ação da PF, Flávio relacionou a investigação ao cenário eleitoral e ao seu desempenho nas pesquisas. Sem apresentar evidências, atribuiu a operação a uma iniciativa política de Dino para interferir na disputa. — O que tem claramente é uma tentativa de interferência política, mais uma vez, agora, do ministro Flávio Dino sobre as eleições. Qual o fundamento dessa operação? Política — disse. O senador afirmou estar tranquilo com a investigação, descartou reflexos da operação sobre sua campanha e relacionou essa avaliação ao desempenho que vem registrando nas pesquisas. Flávio também voltou a explorar a crise no Supremo. Cobrou de Edson Fachin uma sessão pública para discutir as divergências entre os ministros, embora o presidente da Corte já tenha convocado o plenário para a próxima terça-feira. O candidato criticou ainda a falta de “autocontenção” no tribunal e voltou a direcionar ataques a Alexandre de Moraes, a quem acusou de ter recebido poderes excessivos para atingir Jair Bolsonaro. As declarações foram dadas durante a passagem de Flávio por Roraima, onde o presidenciável dividiu o palanque com os dois candidatos do PL ao Senado, os deputados federais Nicoletti e Hélio Lopes. Apesar da disputa interna por recursos e espaço no partido, Flávio pediu votos para ambos e vinculou as duas candidaturas à sua campanha presidencial e à de Arthur Henrique (PL) ao governo do estado. Nicoletti recebeu R$ 3,1 milhões da direção do PL para financiar sua campanha, seis vezes mais que os R$ 500 mil destinados até agora a Hélio, aliado histórico da família Bolsonaro. A diferença nos repasses provocou reação de grupos bolsonaristas e chegou à Procuradoria-Geral Eleitoral.