Em entrevista à TV Globo, candidato do PL afirma que dinheiro de Daniel Vorcaro foi usado integralmente na produção do filme sobre seu pai 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Candidato do PL a presidente, Flávio Bolsonaro concede entrevista à TV Globo, no Rio — Foto: Globo/Manoella Mello O candidato do PL à presidência da República, Flávio Bolsonaro, voltou a dizer, nesta sexta-feira (28), que não há mais esclarecimentos pendentes sobre suas relações com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master, e o financiamento do filme "Dark Horse". Durante entrevista à TV Globo, o senador disse que já prestou os esclarecimentos, embora não o tenha feito. Questionado sobre o contrato firmado para o financiar a cinebiografia sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e sobre uma planilha detalhada com os gastos da produção, Flávio afirmou que as informações já foram apresentadas. “Já está apresentado, já está apresentado”, disse. Em seguida, porém, afirmou que o contrato não caberia a ele. “A minha parte nesse filme foi autorizar o uso da minha imagem e captar investidores. O contrato não cabe a mim.” Flávio é o quinto entrevistado da série promovida pela emissora. Na quinta-feira (27), o entrevistado foi o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na quarta-feira (26), o convidado foi Renan Santos (Missão), na terça-feira (25), Ronaldo Caiado (PSD), e, na segunda-feira (24), Romeu Zema (Novo). Durante a entrevista, os jornalistas afirmaram a Flávio que a perícia citada por Flávio, contratada pela própria produtora, não teve acesso ao fundo constituído nos Estados Unidos para o qual o dinheiro de Vorcaro foi encaminhado, ponto considerado relevante para esclarecer a origem e o destino do dinheiro. Flávio repetiu que a perícia teria demonstrado que não houve utilização de recursos públicos. “Conclui que não tem um centavo de dinheiro público nesse filme. É uma relação completamente privada”, afirmou. Um inquérito da Polícia Federal investiga se houve uso de emenda parlamentar para o custeio do filme. O senador negou que tenha recebido pessoalmente os R$ 61 milhões destinados à produção. “Eu não recebi dinheiro nenhum. O filme recebeu. A produtora fez o filme”, disse. Confrontado com as mensagens que mostraram que procurou Vorcaro para obter recursos, reconheceu: “Eu pedi um patrocínio.” Flávio também foi questionado sobre a mensagem enviada ao banqueiro na qual afirmou “estou e estarei contigo sempre”. Segundo ele, a declaração dizia respeito exclusivamente ao projeto cinematográfico. “A única relação que eu tinha com ele era sobre esse filme, mais nada”, afirmou. Disse que queria assegurar a conclusão da obra, que classificou como um projeto sobre um “herói”. “O presidente Bolsonaro merece uma obra de arte, uma obra-prima, como um filme contando a história.” A sabatina também abordou a visita feita por Flávio à casa de Vorcaro depois de o banqueiro ter sido preso e já estar usando tornozeleira eletrônica. Perguntado se considerava adequado que um senador da República visitasse um banqueiro investigado por fraudes bilionárias, Flávio não respondeu diretamente e voltou suas críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Flávio sustentou que sua relação com Vorcaro sempre esteve restrita ao filme e que não houve qualquer contrapartida relacionada ao exercício de seu mandato. Também afirmou que apoia a instalação de uma CPI para investigar o Banco Master. Segundo ele, a comissão permitiria esclarecer tanto sua relação com Vorcaro quanto as relações do banqueiro com integrantes do governo. Os entrevistadores insistiram em perguntar se o candidato se comprometia a tornar públicos os documentos e detalhes do financiamento. “Já estão”, respondeu. Diante da observação de que a planilha detalhada e outras informações ainda não haviam sido divulgadas, Flávio insistiu que o caso está esclarecido.