Apurações estão nas mãos de André Mendonça, do STF 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Flávio Bolsonaro e Lula: adversário na campanha deste ano — Foto: Maria Isabel Oliveira e Brenno Carvalho / Agência O Globo A menos de três meses das eleições, duas investigações da Polícia Federal (PF) com potencial de atingir os principais candidatos ao Palácio do Planalto preocupam as campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Sob relatoria do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), a PF tenta avançar nas apurações sobre a atuação Fábio Luís Lula da Silva, filho do petista, junto ao governo federal e o financiamento do filme biográfico de Jair Bolsonaro Dark Horse, cujo financiamento foi negociado entre Flávio e Daniel Vorcaro, dono do Master. Na quinta-feira, Mendonça autorizou investigação para apurar os supostos crimes de tráfico de influência e corrupção pelo filho de Lula, o que ampliou a expectativa da oposição sobre o uso do tema na corrida eleitoral. Lulinha já era investigado em um dos inquéritos que busca esclarecer as fraudes nos descontos de aposentados do INSS. A PF, porém, abriu um novo caminho ao associar possíveis ilícitos na conduta de Fábio Luís na comercialização de cannabis medicinal, com ligações com servidores do Ministério da Saúde e do gabinete presidencial. Na semana passada, Mendonça também autorizou a abertura de um inquérito da PF para investigar o financiamento da cinebiografia que retrata a trajetória de Bolsonaro. A apuração busca esclarecer se o dinheiro enviado ao exterior para financiar o longa teve, na prática, outra destinação. A suspeita é que parte da produção tenha sido bancada por Vorcaro, com o envio de R$ 61 milhões. Petista diz que filho 'não tem o direito de errar' Em entrevista a um podcast, Lula foi perguntado sobre o assunto na noite de quinta-feira, e afirmou que se o filho for culpado terá que pagar "como todo mundo". Também disse que não usará o seu cargo para proteger Lulinha. O petista relembrou as acusações que o levaram à prisão durante a Operação Lava-Jato, ao falar da situação do filho, e lembrou a morte de sua mulher, Marisa Letícia, mãe de Lulinha, em 2017. — Se ele tiver certo, ele vai ter ajuda minha. Se ele fizer a coisa errada, ele sabe o que eu passei. Sabe o que é um pai, com cinco filhos, ver na televisão chamar a família de ladrão o tempo inteiro. Ele sabe que a minha mulher morreu por causa da desgraça da Lava-Jato. Então ele não tem o direito de errar. Ele sabe disso. Ele jura para mim todo dia e eu acredito nele – disse, em entrevista ao podcast Inteligência Ltda. Flávio aponta falsas insinuações Flávio, por sua, vez, negou que os recursos do filme tenham sido desviados ou destinados ao irmão, o deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que vive nos EUA. Em nota publicada na ocasião da divulgação dos diálogos com Vorcaro, o parlamentar afirmou que se trata de "falsa a insinuação" e sustentou que "os aportes foram direcionados a um fundo específico da produção, com estrutura jurídica própria e fiscalização nos Estados Unidos". Efeito político Em março deste ano, a CPI do INSS, que tinha o filho de Lula como um dos alvos, foi enterrada com ajuda do governo. Na ocasião, o Palácio do Planalto já temia o impacto eleitoral de eventuais desdobramentos sobre o caso. Durante a investigação parlamentar, um dos reveses sentidos pela oposição foi a decisão de Flávio Dino, do STF, que suspendeu a quebra de sigilo de Lulinha. Na quinta-feira, a campanha do candidato do PL à Presidência decidiu promover uma nova troca no comando de sua comunicação após seguidos desgastes, inclusive a partir da crise envolvendo as relações com Vorcaro. A avaliação da campanha é que a equipe dispensada demorou a reagir às crises envolvendo Michelle Bolsonaro e Vorcaro e não conseguiu transformar episódios favoráveis em ganhos políticos para o candidato.