Já senador questiona capacidade do adversário em combater o crime organizado 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Lula e Flávio Bolsonaro durante os primeiros atos de campanha, no início oficial da campanha, em agosto — Foto: Ricardo Stuckert (esq) / Vittor Sales (dir) / Divulgação As campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) trocaram ataques no horário eleitoral gratuito desta terça-feira (8). O programa petista voltou a explorar a proximidade entre o adversário e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acusando o senador de "traidor da pátria". Já Flávio questionou a competência do atual governo para combater o crime organizado. O programa de Lula disse que Flávio apoiou ao tarifaço dos Estados Unidos. Chamando Flávio e o irmão, ex-deputado Eduardo Bolsonaro, de "traidores da pátria", o programa petista retomou vídeos em que ambos se mostram entusiastas da medida assim que ela foi anunciada pelos EUA, no ano passado. "Não estamos em condições de exigir nada para o governo Trump, ele vai fazer o que quiser, independente da nossa vontade", disse o bolsonarista em um dos recortes selecionados pela campanha petista. Na sequência, o vídeo foi logo substituído por um discurso de Lula falando que não vai "abaixar a cabeça". A foto entre o Flávio e Trump, tirada na Casa Branca durante visita do senador em maio deste ano, também foi usada. Ainda no tema "soberania", que tomou todo o programa, a candidatura petista destacou os investimentos em Defesa e na indústria nacional durante este mandato. A peça também tratou da privatização da BR Distribuidora, durante a gestão Jair Bolsonaro (PL). "O resultado? O combustível ficou mais caro e postos de gasolina passaram a lavar dinheiro", afirmou o narrador, com uma montagem de uma capa de jornal e uma foto do ex-presidente em preto e branco. O programa não tratou da crise atual envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) e a Polícia Federal (PF), que tem resvalado no governo Lula. A campanha ainda avalia em como deverá explorar os acontecimentos mais recentes, ao passo que o governo tem tomado o caminho jurídico, ao pedir via Advocacia-Geral da União (AGU) a suspensão imediata do afastamento do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, pelo ministro André Mendonça. Crime organizado A propaganda de Flávio Bolsonaro destacou o combate ao crime organizado e voltou a registrar o endividamento da população. O candidato usa como estratégia uma mensagem de contraste entre o candidato e os governos Lula. A peça atribui ao petista dificuldades experimentadas pela população brasileira relativas à alta criminalidade e ao custo de vida, comparando-as a uma “violência”. A propaganda acusa o presidente Lula de repetir há duas décadas promessas de combate ao crime sem conseguir conter o avanço das facções. A peça mostra o petista prometendo combater o crime organizado desde 2003, e repetindo a promessa em diferentes momentos ao longo de seus vários mandatos. Como alternativa, Flávio apresenta como propostas o endurecimento das penas, redução da maioridade penal e enquadramento de organizações criminosas como organizações narcoterroristas. O discurso traz a ideia de soberania na segurança pública, como o direito de circular nas ruas, usar o carro ou a moto e viver sem medo. Na parte da propagada em que a campanha associa a política econômica de Lula ao aumento do custo de vida, Flávio se apresenta como defensor de uma agenda econômica de menor tributação, prometendo um “tesouraço” nos impostos e queda dos juros. “Sabe por quê? Porque o governo Lula gastou muito e gastou errado. Se endividou e, com isso, endividou todos os brasileiros. O juro aumentou, o imposto aumentou, tudo aumentou. O dinheiro ficou curto até para pagar o básico”, afirma Flávio Bolsonaro na propaganda. Os candidatos Augusto Cury (Avante) e Ronaldo Caiado (PSD) reproduziram programas já exibidos anteriormente. A propaganda de Caiado também abordou o tema da segurança pública e voltou a afirmar que, uma vez eleito, construirá 40 presídios, confiscará os bens de condenados por violência contra a mulher e que tratará integrantes de facções criminosas como terroristas. Os demais candidatos não têm direito à participação no horário eleitoral.