Campanha lança site contra adversário e veicula inserção que o chama de 'o pior dos Bolsonaros' 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o candidato do PL à presidência, senador Flávio Bolsonaro (RJ) — Foto: Brenno Carvalho/O Globo No primeiro dia da propaganda eleitoral gratuita, a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ampliou a ofensiva contra Flávio Bolsonaro com o lançamento de um site dedicado a críticas ao adversário e a veiculação de uma inserção no rádio que classifica o senador como “o pior dos Bolsonaros”. O movimento ocorre enquanto o comitê petista tenta conter o desgaste provocado pela declaração de Lula de que não conhecia a lobista e empresária Roberta Luchsinger, amiga de seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e investigada pela Polícia Federal. A propaganda eleitoral começou nesta sexta-feira. Lula e Flávio aparecem de duas formas no rádio e na televisão: nos programas exibidos em horários predeterminados, chamados de propaganda em bloco, e nas inserções, comerciais eleitorais curtos distribuídos nos intervalos da programação ao longo do dia. Os primeiros programas dos dois candidatos serão exibidos neste sábado, mas a primeira inserção contra Flávio já foi veiculada na TV. É principalmente nesses comerciais curtos que a campanha de Lula pretende concentrar as críticas ao adversário. Na primeira inserção, a campanha petista associa Flávio ao caso do Banco Master e reproduz um áudio enviado pelo senador ao banqueiro Daniel Vorcaro. Ao final, afirma: “Flávio Bolsonaro, não dá para confiar. O pior dos Bolsonaros.” A estratégia vai permitir à campanha alternar conteúdos positivos sobre Lula com peças de confronto contra o principal adversário. A ofensiva ocorre após a oposição explorar uma declaração dada por Lula durante entrevista ao Jornal Nacional, na noite de quinta-feira. O presidente afirmou que não conhecia Roberta e que nunca havia estado com ela. Depois da sabatina, adversários divulgaram fotografias, publicadas pela própria empresária nas redes sociais, nas quais ela aparece ao lado do petista. Integrantes da campanha passaram a afirmar que Lula nunca recebeu Roberta para uma reunião ou audiência nem discutiu contratos com ela. Auxiliares argumentam ainda que, como presidente, o petista costuma tirar fotografias com pessoas com as quais não mantém relação. Reservadamente, aliados reconhecem que Lula cometeu um deslize ao dizer que nunca havia visto a empresária. Roberta é amiga de Lulinha e de sua mulher, Renata Moreira, e foi candidata a deputada estadual pelo PT em São Paulo em 2018, mas não se elegeu. Ela e o filho do presidente são investigados pela Polícia Federal por suspeita de tráfico de influência no governo. Lulinha nega irregularidades. Flávio foi um dos primeiros adversários a explorar a contradição. O candidato do PL publicou duas fotografias de Lula com Roberta e acusou o presidente de mentir. O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) e o ex-secretário de Comunicação Fabio Wajngarten também divulgaram imagens para contestar a declaração. Ao mesmo tempo que tenta administrar o episódio, o PT reúne casos de diferentes períodos da vida pública de Flávio. Entre os assuntos explorados estão sua passagem, aos 19 anos, por um gabinete na Câmara dos Deputados; a investigação sobre o suposto recolhimento de parte dos salários de funcionários de seu gabinete na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), episódio conhecido como rachadinha; e uma homenagem ao ex-policial militar Adriano da Nóbrega. A campanha também menciona o pedido de R$ 134 milhões feito pelo senador a Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Os episódios têm contextos e situações jurídicas diferentes. No caso da rachadinha, Flávio foi denunciado pelo Ministério Público do Rio, mas a acusação foi anulada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em 2020. Adriano da Nóbrega, homenageado pelo então deputado estadual, foi apontado em investigações como chefe de uma milícia que atuava no Rio e morreu em 2020. Já o pedido feito por Flávio a Vorcaro foi identificado pela PF durante as investigações sobre o ex-banqueiro. Ao incorporar o episódio, a campanha petista atualiza um repertório formado principalmente por controvérsias da passagem do senador pela política fluminense. Segundo o secretário de Comunicação do PT, Éden Valadares, o início da propaganda no rádio e na TV aumentam a atenção do eleitorado sobre a disputa e a procura por informações a respeito dos candidatos. O dirigente afirma que o conteúdo foi produzido a partir de registros da polícia, da Justiça e da imprensa. A campanha do PL também pretende usar os comerciais curtos para atacar o presidente e prepara conteúdos sobre as investigações envolvendo Lulinha. O caso, no entanto, deve ser deixado de fora da estreia. No primeiro programa, Flávio deverá começar o horário eleitoral com um programa voltado à segurança pública, custo de vida e endividamento das famílias, além de reforçar sua ligação com Jair Bolsonaro. Lula deve apresentar sua trajetória com referências à infância, à atuação sindical e aos três mandatos no Palácio do Planalto. A propaganda também dará destaque às mulheres e a medidas de combate ao feminicídio.