Com R$ 17,3 bi em dívidas, empresa tenta se reestruturar 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Pedestre tira foto da unidade na Avenida Visconde de Pirajá, em Ipanema, que foi fechada — Foto: Fabiano Rocha/Agência O Globo Três semanas após levar a Justiça um pedido de recuperação para reestruturar dívidas que somam R$ 17,3 bilhões, a Casas Bahia tem negociações avançadas com bancos e fundos de investimento para acessar um empréstimo. Segundo pessoas próximas à varejista, as discussões envolvem crédito de iniciais R$ 150 milhões a R$ 500 milhões. O objetivo da companhia é alcançar um valor total de financiamento R$ 1 bilhão. O empréstimo seria do tipo DIP, do inglês debtor in possession, que, na prática, significa um tipo especial de financiamento a empresas em recuperação judicial. O pedido de reestruturação da companhia, porém, ainda não foi aprovado pela Justiça de São Paulo, e esse seria um dos impasses para a assinatura do empréstimo com as instituições financeiras. Ainda segundo fontes, também estão sendo discutidos prazos de pagamento e garantias. No último dia 28, após a Casas Bahia admitir uma "corrida de credores" contra seu patrimônio, a juíza Tainá Maria Leonardo de Oliveira, da 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, antecipou os efeitos da recuperação e garantiu proteção contra credores da varejista por 180 dias. A aprovação do pedido de recuperação ainda depende de perícia exigida pela Justiça para atestar "as reais condições de funcionamento e a regularidade da documentação apresentada" pela Casas Bahia. Escolhida para realizar o processo, a ACDB Administração Judicial deverá verificar se lojas físicas, centros de distribuição, site e aplicativo da varejista encontram-se efetivamente em operação, se há desabastecimento perceptível nas prateleiras e se os sistemas de venda física e digital estão funcionando normalmente. O prazo para conclusão do laudo termina nas próximas semanas. A contratação do empréstimo é importante para pagar custos do dia a dia, como funcionários e fornecedores, e manter o negócio funcionando durante a crise. Antes, os produtos eram enviados para as lojas e centros de distribuição da varejista com prazo de pagamento de 45 a 90 dias, a depender do contrato. Agora, a empresa fornecedora passou a exigir pagamento à vista antes do envio das mercadorias. Fontes dizem que há mais casos do tipo em curso.