Quando Javed Ali dirigia para o trabalho na manhã de 11 de setembro de 2001, as primeiras notícias de um avião atingindo o World Trade Center já ecoavam no rádio. Meia hora antes de o terceiro avião sequestrado atingir o Pentágono, ele passou de carro bem próximo do local.

Não viu o impacto, mas viu a fumaça subir do prédio, perto do escritório. "Não me lembro de muita coisa sobre 10 de setembro, mas me lembro de tudo sobre o dia inteiro de 11 de setembro", afirmou à Folha.

A memória permanece vívida para Ali, então com 33 anos, como para grande parte dos americanos: pesquisa do Pew Research Center mostra que, 25 anos depois, 83% dos adultos nascidos antes da data —e 93% dos que tinham mais de dez anos na época— lembram exatamente onde estavam e o que faziam ao saber da notícia.Os atentados provocaram medo, raiva e tristeza generalizados, com amplo apoio a uma resposta militar contra os responsáveis. Mudou, porém, a origem do perigo mais temido: se o 11 de Setembro cristalizou o medo de um ataque estrangeiro, hoje o terrorismo doméstico supera o externo na preocupação pública.

Pesquisa Reuters/Ipsos de agosto mostra que 33% apontam o terrorismo doméstico como maior ameaça, ante 20% que citam o estrangeiro —42% citam atos aleatórios de violência, como ataques a tiros. Em 2013 a relação era inversa: 21% viam a ameaça doméstica como maior, e 28%, a estrangeira.