A manhã de terça-feira de 11 de setembro de 2001, quando os EUA sofreram o maior ataque terrorista da História, produziu efeitos que se espalharam bem além de Nova York, Washington e da zona rural da Pensilvânia. A Guerra ao Terror, proclamada pelo presidente George W. Bush, abriu caminho para dois conflitos de grande porte que drenaram centenas de milhares de vidas e alguns trilhões de dólares da economia americana e dos países atingidos. Mais do que isso, a instabilidade causada pelos atentados e ofensivas mundo afora criou um cenário radicalmente diferente do prometido por Bush, onde novas ameaças surgiram e a paz através do Estado de Direito se esfarelou por completo. Confira alguns momentos históricos que marcaram os últimos 25 anos, e que ainda reverberam por todo o planeta. Direta e indiretamente. Três aeronaves comerciais sequestradas atingem as torres do World Trade Center, em Nova York, e o Pentágono, em Washington, no maior ataque externo ao território americano na História. Enquanto as duas torres se transformaram em uma montanha de concreto, ferro retorcido e vidas perdidas, um quarto avião caía em um descampado na Pensilvânia. Militar americano em posição na província afegã de Khost — Foto: TED ALJIBE/AFP 7 de outubro de 2001 Depois de declarar o início da Guerra ao Terror e ativar o Artigo 5º da Otan, o presidente George W. Bush invade o Afeganistão, acusado de abrigar as lideranças da rede al-Qaeda, inclusive seu líder, Osama bin Laden. O Talibã, que comandava o país, caiu em semanas, mas a guerra arrastaria os EUA e aliados por quase 20 anos. Militar americano patrulha prisão na base militar americana de Guantánamo, em Cuba — Foto: Roberto Schmidt/AFP 11 de janeiro de 2002 Abertura do campo de detenção na base militar de Guantánamo, em Cuba. O local, um “buraco negro legal”, se tornou símbolo dos abusos cometidos em nome do combate ao terrorismo durante a Guerra ao Terror, e que até hoje segue aberto, contrariando promessas de ao menos dois presidentes americanos. Coluna de fumaça é vista no palácio presidencial de Saddam Hussein, em Bagdá, após bombardeio dos EUA — Foto: Karim Sahib/AFP 20 de março de 2003 Na esteira da Guerra ao Terror, os EUA invadem o Iraque e depõem o regime de Saddam Hussein, embora ele não tenha ligação com os ataques de 11 de Setembro. O conflito foi outro símbolo das chamadas Guerras Eternas, e o caos que se seguiu serviu como terreno perfeito para o surgimento de outros grupos terroristas. Memorial às vítimas dos ataques de julho de 2005 em Londres — Foto: Philippe Huguen/AFP 7 de julho de 2005 Em uma demonstração de poder, a rede al-Qaeda promove uma série de ataques a bomba em Londres, deixando mais de 50 mortos e cerca de 700 feridos, como retaliação à participação britânica nas guerras no Iraque e Afeganistão. Ao mesmo tempo, surgiam facções ainda mais radicais da organização terrorista, especialmente no Iraque. Manifestantes tunisianos fazem protesto em frente à sede da autoridade eleitoral do país — Foto: LIONEL BONAVENTURE/AFP 17 de dezembro de 2010 Eclode, na Tunísia, a Primavera Árabe, uma onda de protestos contra as autocracias no Norte da África e Oriente Médio. Ao mesmo tempo em que tiranos caíram, a repressão e a instabilidade que se seguiram levaram à desestabilização de Estados, queda de tiranos (e a instauração de novos ditadores) e guerras civis, permitindo a infiltração de organizações terroristas, como o nascente Estado Islâmico. Manifestante levanta cartaz com o rosto do líder da rede al-Qaeda, Osama bin Laden, no Paquistão — Foto: BANARAS KHAN/AFP 2 de maio de 2011 Osama bin Laden, o homem mais procurado do mundo, foi morto por um grupamento de elite dos EUA em Abbottabad, no Paquistão. O anúncio foi recebido com festa pelo mundo, mas o homem que viveu isolado por anos em uma casa inexpressiva já não tinha o mesmo poder que ostentava em um passado bem recente, servindo mais como um símbolo de "inspiração" aos jihadistas. Militantes do grupo terrorista Estado Islâmico em vídeo de propaganda gravado em Raqqa, na Síria — Foto: Reprodução/Redes Sociais/AFP 29 de junho de 2014 O Estado Islâmico declara a criação de um califado em partes de Iraque e Síria, exercendo controle territorial e impondo uma versão radical da lei islâmica. A área, maior do que a de muitos países, se tornou terreno fértil para o extremismo, e persistiu por mais de dois anos, quando o grupo definhou diante de ofensivas militares de EUA, Rússia e grupos curdos. Contudo, alianças na África e Ásia, além de recrutadores de "lobos solitários" seguem em operação. Integrante da milícia Talibã ameaça civis que tentam entrar no aeroporto de Cabul para fugir do país — Foto: JIM HUYLEBROEK/AFP 30 de agosto de 2021 As tropas americanas concluem a desastrosa retirada do Afeganistão, diante da retomada do poder pelo Talibã. A saída foi marcada pelo desespero de milhares de civis que tentavam fugir do país e por um atentado que matou 180 pessoas, se tornando um símbolo do fracasso da Guerra ao Terror de George W. Bush.