Lembram da tabela que Donald Trump segurou ao anunciar seu tarifaço para o mundo? Foi um cartaz nas mesmas dimensões que dois líderes da ultradireita europeia, o britânico Nigel Farage e o francês Jordan Bardella, seguraram dias atrás, posando para fotos em Birmingham, no Reino Unido. A diferença aparecia no conteúdo: o cartaz da dupla não anunciava tarifas, mas um "acordo histórico entre dois países, para interromper a imigração ilegal". Fanfarronices.
Farage e Bardella não são primeiros-ministros, cargos com que ainda sonham, portanto, e não fecham acordos bilaterais. Outro sinal da pouca seriedade do documento está na proposta de que barcos britânicos que capturem imigrantes no Canal da Mancha atraquem em solo francês, onde estes indivíduos serão presos e de lá deportados. O saldo da parceria de Bardella, que hoje preside o partido ultradireitista Reunião Nacional, foi unir o espectro político do país contra si, ainda que por um momento.
Hoje a classe política francesa vive dias de ansiedade pelo avanço do extremismo, particularmente o de direita. Foi descrita como "estado de choque" a sua reação à vitória da AfD nas eleições em Saxônia-Anhalt, na Alemanha, partido definido como neonazista até por estudiosos mais renitentes. E esta vitória pode preceder outras tantas no continente, no mesmo campo ideológico.











