Nos momentos de encruzilhada do Brasil, e não foram poucos em mais de 70 anos de jornalismo, quando os responsáveis pelos caminhos ou descaminhos do País eram postos à prova, Mino­ ­Carta sacava da algibeira uma frase: “Os homens se medem nas circunstâncias”, combinado das reflexões de pensadores de épocas distintas. Ao contrário do que se imagina, Mino era um otimista incorrigível e nunca seguia a recomendação de depositar as esperanças no chão antes de cruzar o umbral de mais um círculo do Hades brasileiro. A esperança durava pouco, pois, em geral, a coragem dessas personagens nos momentos decisivos se media em centímetros, como os habitantes de Lilliput. A reação seguinte, óbvio, era de indignação, aliviada por meio de impropérios cujo mais sonoro era “CREEEETIIIIINOOOOS!” Também não podia faltar o “bando de corja”, expressão que poderia ter saído das páginas de Manuelzão e Miguilim, mas é da lavra do pai de ­Políbio. Mundialmente conhecido como Dó, Políbio foi o Sancho Pança do cavaleiro errante Mino nas intermináveis batalhas contra os moinhos de vento.

Diante da grave crise no Supremo Tribunal Federal, a mais grave da história, dizem os especialistas, o presidente da Corte, Edson Fachin, diria Mino, será medido “nas circunstâncias”. A série de decisões do ministro na quarta-feira 9 deriva de pressões externas e dos pares. A escolha por levar ao plenário, antes das eleições, o pedido de investigação de Alexandre de Moraes encaminhado por André Mendonça jogará mais gasolina na fogueira, seja qual for o resultado. Fachin demonstra, como de hábito, sua suscetibilidade às pirraças da “opinião pública”. Magistrados que preferem o clamor das ruas à letra da lei praticam justiçamento, não Justiça.