Proximidades estratégicas, alianças táticas e afinidades políticas entre altas autoridades da República fazem desta uma crise de governo, englobando os três Poderes no conceito de administração federal.

Daí que a solução não está "nas costas" do ministro Edson Fachin, como quis o presidente Luiz Inácio da Silva em uma das várias tentativas de se desvencilhar da conflagração instalada no Supremo Tribunal Federal (STF) e que alcança também o Executivo e o Legislativo.

O momento requer liderança, papel que no sistema presidencialista tem destaque e concentra atenções na figura do chefe da nação. Portanto, se espaço para mediação houver, a tarefa de comandar a reorganização da institucionalidade sem ferir atribuições constitucionais caberá a Lula, tendo como pré-requisito a troca do figurino de candidato pelo traje presidencial.

Missão que obviamente o presidente não conduz sozinho; é preciso que encontre no entorno um ambiente de concertação em torno de um objetivo. No caso, o esclarecimento da imputação de suspeições ao arrepio de amizades, corporativismos, paixões ideológicas, leituras enviesadas, demonstrações de força, chicanas jurídicas e, sobretudo, sem paixões eleitorais de todos os lados.