Todo 9 de setembro o Brasil comemora o Dia do Cachorro-Quente —data com mais tradição popular do que comprovação histórica, mas uma boa desculpa para falar de um lanche que atravessou impérios. A salsicha é um embutido antiquíssimo, com raízes no Império Romano; ganhou nome com a "Frankfurter Würstchen" alemã e a "wiener" vienense, e virou hot-dog lá nos Estados Unidos, popularizado por Charles Feltman e depois por Nathan Handwerker, em Coney Island.

Aqui no Brasil, chegou em 1926, levado pelo empresário Francisco Serrador aos cinemas da Cinelândia, no Rio. A novidade emplacou tão rápido que virou até marchinha de Carnaval —"Cachorro-Quente", composta por Lamartine Babo e Ary Barroso em 1928— e se consolidou de vez após a Segunda Guerra.Cada região do país criou sua versão, da qual não abre mão: ovo de codorna e até uva-passa no Rio de Janeiro, milho e batata palha em Minas Gerais e Goiás. No Sul, principalmente no Paraná e no Rio Grande do Sul, a salsicha nem leva esse nome: é chamada de vina, abreviação de "vienesa", herança da imigração germânica e austro-húngara que colonizou a região entre 1875 e 1930.

Ainda criança, descobri que o cachorro-quente podia ser outra coisa. Em Santa Rosa de Viterbo, cidade do interior paulista (onde tenho família), o lanche vinha com molho de carne moída e alface bem picadinha —nada do que eu via na capital, onde o hot-dog é quase um evento, leva ervilha, milho, vinagrete, batata palha e purê de batata para fechar.