'Não sei o que leva as pessoas a votarem nesse partido', diz Eva Umlauf, libertada do campo de concentração de Auschwitz aos dois anos de idade 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Eva Umlauf, sobrevivente de Auschwitz, se diz triste com resultado favorável para a extrema direita em eleições estaduais da Saxônia-Anhalt — Foto: REUTERS/Angelika Warmuth Eva Umlauf tinha dois anos quando ela e sua mãe foram libertadas do campo de extermínio nazista de Auschwitz, em janeiro de 1945. Ela diz que fica horrorizada ao ver que, mais de 80 anos depois, a extrema direita está novamente em ascensão na Alemanha. A vitória do partido Alternativa para a Alemanha (AfD) no Estado de Saxônia-Anhalt, no leste do país, no último domingo, colocou um partido de ultradireita a um passo do poder em um Estado alemão pela primeira vez desde o fim da Segunda Guerra Mundial. “O que posso dizer? Eu esperava por isso e, mesmo assim, estou chocada”, disse ela à Reuters em uma entrevista. “Estou chocada, estou triste; não sei o que leva as pessoas a votarem nesse partido.” Umlauf, uma pediatra e psicoterapeuta nascida na Eslováquia que mora em Munique, visita escolas para ensinar as crianças sobre o Holocausto e atua como presidente do Comitê Internacional de Auschwitz. Seus comentários refletem a preocupação que muitos representantes de grupos minoritários têm expressado nos últimos meses, à medida que pesquisas de opinião apontavam para o avanço da extrema direita na Saxônia-Anhalt, bem como em Berlim e no Estado de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, cujas eleições estão marcadas para 20 de setembro. “Estamos com medo. Sabemos o que acontece – o que acontece com as minorias, o que acontece com os estrangeiros”, declarou ela. O AfD, fundado como um partido eurocético durante a crise da zona do euro em 2013, rejeita comparações com o Partido Nazista, responsável pelo Holocausto que matou cerca de 6 milhões de judeus, além de ciganos, homossexuais e outros. A sobrevivente de Auschwitz Eva Umlauf segura um exemplar de seu livro, que traz uma foto sua na capa — Foto: REUTERS/Angelika Warmuth O partido quer restringir a imigração, especialmente de países que considera “culturalmente estranhos” à Alemanha, sair do euro e restabelecer laços com a Rússia para reduzir os preços da energia. Afirma que suas políticas refletem ideias de bom senso compartilhadas por milhões de alemães e nega ser antissemita. Em vez disso, acusa os partidos tradicionais de usar tais acusações como meio de silenciar a oposição.
Sobrevivente do Holocausto se diz ‘chocada’ com vitória da ultradireita em Estado da Alemanha
'Não sei o que leva as pessoas a votarem nesse partido', diz Eva Umlauf, libertada do campo de concentração de Auschwitz aos dois anos de idade











