Friedrich Merz também disse que sigla rival, que venceu eleições estaduais na Saxônia-Anhalt, apoia a Rússia em detrimento dos interesses alemães 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O primeiro-ministro da Alemanha, Friedrich Merz, caminha após discursar durante o debate sobre o Orçamento de 2027 em uma sessão plenária da Câmara Baixa do Parlamento alemão, o Bundestag, em Berlim, em 9 de setembro de 2026 — Foto: REUTERS/Annegret Hilse O primeiro-ministro da Alemanha, Friedrich Merz, acusou nesta quarta-feira a Alternativa para a Alemanha (AfD) de apoiar a Rússia em detrimento dos interesses alemães e de defender políticas antimigração que equivaleriam a uma “limpeza étnica”. Merz discursava no Parlamento alemão após a dura derrota de seu partido para a AfD, que obteve uma vitória expressiva nas eleições no Estado da Saxônia-Anhalt, no leste do país, com uma plataforma de restrição à imigração e de retomada das relações com Moscou. Em um email à Reuters, a AfD disse que Merz estava deliberadamente distorcendo sua posição como forma de demonizar o partido e afirmou que suas políticas são legais. Merz tenta retomar a iniciativa depois que a derrota eleitoral de domingo e seus próprios índices de aprovação, nos menores níveis já registrados, colocaram em xeque sua posição e o programa de reformas de seu governo. Ele rejeitou sugestões de que poderia renunciar. “Se aquilo que está sendo defendido aqui, a chamada ‘remigração’, se tornasse realidade, não seria nada além de um sinônimo de limpeza étnica baseada em origem e cor da pele”, disse Merz, em resposta a um discurso anterior da copresidente da AfD, Alice Weidel. Merz também criticou os apelos da AfD pelo fim do apoio à Ucrânia, acusando o partido de estar “firmemente ao lado da Rússia” mesmo depois de um ataque planejado com drones contra um aeroporto alemão no mês passado que, segundo Merz, foi realizado por Moscou. A Rússia nega. AfD rebate Merz A AfD foi classificada como extremista de direita pelo escritório local do serviço de inteligência interna da Alemanha. Em seu programa eleitoral na Saxônia-Anhalt, o partido defendeu políticas de “remigração” para acelerar a deportação de solicitantes de asilo rejeitados e criminosos estrangeiros, além de oferecer incentivos para que pessoas deixem o país voluntariamente. O partido também quer que filhos de refugiados sejam ensinados em turmas separadas. “Por ‘remigração’, a AfD entende a deportação sistemática — em conformidade com a lei — de todos os estrangeiros obrigados a deixar o país; nada além disso. O primeiro-ministro Merz também sabe disso”, disse o deputado da AfD Bernd Baumann em um email à Reuters. “Ainda assim, atribuir a limpeza étnica à AfD como objetivo político é uma tentativa desesperada e sórdida de manter um ‘cordão sanitário’ por meio de uma demonização fabricada.” Ulrich Siegmund, ao centro, principal candidato e copresidente da bancada estadual do partido Alternativa para a Alemanha (AfD) na Saxônia-Anhalt, comemora após a divulgação dos primeiros resultados na festa do partido depois das eleições estaduais — Foto: Michael Kappeler/dpa via AP Merz disse que obrigar imigrantes a deixar o país criaria uma escassez de mão de obra qualificada que acabaria tendo efeito contrário. “Nenhuma casa de repouso funcionará. Nenhum hospital na Alemanha continuará funcionando e nenhum restaurante conseguirá permanecer aberto — esse seria o resultado da política de remigração de vocês”, disse. Governo da AfD na Saxônia-Anhalt ainda é incerto Muitos representantes de grupos minoritários manifestaram preocupação com a ascensão da AfD. Eva Umlauf, sobrevivente do campo de extermínio nazista de Auschwitz e presidente do Comitê Internacional de Auschwitz, disse à Reuters estar “chocada” com o resultado das eleições de domingo. A AfD, fundada como partido eurocético durante a crise da zona do euro em 2013, rejeita comparações com o Partido Nazista. Adversários, no entanto, acusam a legenda de minimizar o passado nazista da Alemanha e citam uma declaração feita por um de seus líderes em 2018, que descreveu o período como “apenas uma mancha insignificante em mil anos de história alemã bem-sucedida”. Três dias depois da eleição, ainda não estava claro quem formaria o governo da Saxônia-Anhalt. Embora a AfD tenha obtido o maior número de votos, não conseguiu alcançar a maioria. Os partidos tradicionais se recusam a formar uma coalizão com a AfD, em uma política conhecida como “cordão sanitário”, mas a legenda poderia chegar a um acordo com um pequeno partido de esquerda que compartilha sua oposição à imigração em massa. Em outra linha de ataque, Merz acusou a AfD de descumprir sua promessa de que só governaria se conquistasse maioria absoluta. “Vocês não conseguiram atingir seu verdadeiro objetivo eleitoral de garantir a maioria das cadeiras na Saxônia-Anhalt”, disse Merz. “56% dos eleitores da Saxônia-Anhalt não votaram em vocês”, acrescentou.