"Isso terá consequências." Desistir não será uma delas. O primeiro-ministro da Alemanha, Friedrich Merz, adotou tom grave ao comentar pela primeira vez, nesta segunda-feira (7), a sólida vitória da AfD (Alternativa para a Alemanha) nas eleições de Saxônia-Anhalt, um dos 16 estados do país. Afastou, no entanto, qualquer possibilidade de desistir do próprio governo.

Em Berlim, durante entrevista à imprensa na sede de seu partido, a CDU, Merz afirmou que estava "profundamente chocado" com a votação, a maior vitória da extrema direita no país desde a Segunda Guerra Mundial.

Com uma plataforma populista e apelando para a nostalgia do eleitorado em um dos estados que fizeram parte da Alemanha Oriental, a AfD conquistou 43,8% dos votos, votação bem superior à de 2024, na Turíngia, quando também alcançou a maior bancada (32,8%).

Assim como o colega de partido Sven Schulze, atual governador, Merz declarou que o resultado deveria ser aceito. "São as regras da nossa democracia." Ponderou, no entanto, que não seria possível simplesmente seguir com a ordem do dia. "Há algo que não está sujeito a votações: são as regras da nossa convivência e os valores da nossa Constituição."

Cada vez mais popular no país, a AfD é considerada pelos serviços de inteligência da Alemanha como um "partido de extrema direita comprovada". A sigla contesta a classificação em âmbito federal, mas já perdeu disputas semelhantes em diversos estados, inclusive em Saxônia-Anhalt.