Nesta terça-feira, 1º, o Banco Central colocou em vigor o novo conjunto de regras do Pix voltado ao combate a golpes e fraudes. Não é atualização de interface. Não é mudança simples. É uma alteração no funcionamento do mecanismo em pontos sensíveis do processo de transferência e de cadastro de usuários, com impacto direto na rotina de empresas que usam o Pix como ferramenta central de pagamento, como a minha, inclusive. A empresa que não sabia disso vai descobrir quando uma transação que sempre passou sem problema travar pela primeira vez.O que fazer hoje, antes de amanhã: verificar com o banco se as transações da empresa estão dentro do perfil que o sistema classifica como regular. Foto: Sidney de Almeida/Adobe StockPUBLICIDADEA mudança central é a obrigação de verificação adicional em transações consideradas atípicas ou suspeitas. A instituição financeira passa a ser obrigada a adotar procedimentos de segurança antes de concluir esse tipo de transferência. O problema prático é que o Banco Central não publicou uma lista fechada do que é atípico. O critério é definido por cada instituição com base no perfil de risco de cada cliente. Para o empresário que tem fluxo variável de recebimento, que opera com tickets diferentes de um dia para o outro, que recebe de clientes novos com frequência, a chance de uma transação legítima ser classificada como atípica e sofrer verificação adicional é real.Em um exemplo hipotético, o sócio de uma pequena distribuidora de bebidas opera com tickets que variam de R$ 200 a R$ 8 mil dependendo do cliente e do pedido. Uma parte relevante dos clientes paga por Pix na entrega. Se o sistema classificar como atípica uma transação de valor alto de um cliente que nunca havia pago por Pix antes, o motorista espera, o cliente fica incomodado e a operação trava num momento que não tem margem para espera. A segurança do sistema é real e necessária. O custo operacional dessa segurança é real também..O Pix Automático, que permite cobranças recorrentes sem que o cliente precise agir a cada pagamento, está disponível em todos os bancos e fintechs desde janeiro de 2026. Segundo o Banco Central, academias, escolas, plataformas de serviço e qualquer negócio com receita recorrente já podem usar o modelo. Não há obrigatoriedade legal para que as empresas migrem, mas quem ainda não adotou está deixando de usar o canal mais eficiente disponível para reduzir inadimplência e automatizar cobrança.PublicidadeLeia outras colunas da Camila FaraniNovo tarifaço: Pix virou justificativa dos EUA para punir o Brasil por ter inovado bemSam Altman quer mudar o sistema operacional do mundo. E o seu negócio está dentro deleA boa notícia é que o MED 2.0 amplia a proteção contra fraudes de forma concreta. MED é a sigla para Mecanismo Especial de Devolução, o sistema criado pelo Banco Central para recuperar dinheiro transferido em casos de golpe ou falha operacional. Na versão anterior, a devolução dependia de condições e prazos mais restritos. Com o MED 2.0, a instituição financeira passa a poder bloquear cautelarmente valores suspeitos antes mesmo de a fraude ser confirmada, e o prazo para contestar uma transação suspeita passou de 30 para 80 dias. Para o empresário que já perdeu dinheiro em fraudes no Pix, esse mecanismo é uma proteção real que não existia no formato anterior. O sistema ficou mais lento em alguns pontos e mais justo em outros. Lento e justo é melhor do que rápido e vulnerável.O que fazer hoje, antes de amanhã: verificar com o banco se as transações da empresa estão dentro do perfil que o sistema classifica como regular. Se o fluxo de recebimento é variável, comunicar ao gerente de conta o padrão operacional para que transações legítimas não sejam classificadas como suspeitas. E, se a empresa cobra mensalidade ou assinatura e ainda não migrou para o Pix Automático, esse movimento precisa acontecer agora, não no mês que vem. Vale ler tambémMuito além das commodities: o agro nacional rumo às prateleiras do mundoSteve Jobs construiu a Apple; Tim Cook a transformou na maior empresa do mundoFalta de terrenos em SP ajuda a ampliar projetos de galpões ao interior
Opinião | O Pix mudou ontem; sua empresa já sabe o que fazer diferente amanhã?
As novas regras antifraude que entraram em vigor nesta terça-feira, 1º, podem travar transações que antes passavam sem problema













