A demanda está em alta e a tendência é de continuar crescendo Foto: Adobe StockA expansão do comércio eletrônico está reacendendo os investimentos em logística no interior paulista. Nos últimos anos, a maioria dos centros de distribuição foi instalada em um raio de até 30 quilômetros da cidade de São Paulo - o chamado “raio 1”, no jargão do setor - concentrando os negócios em Guarulhos, Cajamar, Osasco e ABCD. PUBLICIDADEA falta de terrenos na região metropolitana e a subida dos preços de aluguéis por aí têm estimulado os investimentos em centros logísticos em polos um pouco mais afastados da capital, em um raio de até 60 ou 120 quilômetros (raios 2 e 3), como nos arredores de Jundiaí, Campinas, Atibaia, Sorocaba e Vale do Paraíba. “O apetite logístico por novos polos é impulsionado principalmente pela escassez de terrenos nos polos tradicionais e pelo consequente aumento de preços”, afirma o presidente da consultoria imobiliária CBRE, Adriano Sartori. “Com isso, os grandes ocupantes de galpões seguem em busca de alternativas. A tendência é que os ‘raios 2 e 3’ tenham um crescimento relevante na quantidade de projetos nos próximos anos”, estima. O grande exemplo dessa tendência é o mega projeto que a BTS Properties está desenvolvendo em Campinas, com 460 mil m² de área bruta locável (ABL), perto do Aeroporto de Viracopos. O empreendimento já tem, inclusive, pré-locação sendo negociada pelo Mercado Livre. “As maiores absorções de galpões já estão acontecendo próximo do raio de 30 quilômetros. Falta espaço mais perto da capital”, observa Sartori. Como resultado, a vacância dos empreendimentos no “raio 2” caiu para o piso histórico de apenas 2,8%. O número equivale à metade da média estadual, de 4,6%. A partir daí, os aluguéis começam a subir, atraindo novos investimentos. PublicidadeEsse ciclo deve perdurar por alguns anos, segundo a CBRE. O grande motor da demanda por esses imóveis é o comércio eletrônico, que continua em crescimento, demandando centros de distribuição espalhados pelo País. Isso inclui as proximidades de grandes centros consumidores, como as cidades do interior paulista, onde também há boas estradas e disponibilidade de mão de obra. “A penetração do comércio eletrônico no Brasil ainda é baixa em comparação com outros países. Esse é um setor que ainda tem muito potencial para crescer”, diz o vice-presidente de Indústria e Logística da CBRE, Fernando Terra. Hoje, cerca de 10% a 12% das vendas totais do varejo do Brasil ocorrem na internet. Já nos Estados Unidos, esse nível é de 16%, enquanto na China, 47%. De 2020 para 2026, a área de galpões ocupada pelo comércio eletrônico aumentou 2,5 vezes, passando de 6 milhões m² para 16 milhões, segundo a CBRE. Sem bolhaPara o time da consultoria, não há sinais de uma suposta “bolha do e-commerce”. “As locações estão nas regiões onde há mercado. E os preços de locação estão em linha com a demanda. Não vejo uma bolha”, avalia Terra. “O crescimento da ocupação dos galpões não está sendo puxado por uma só empresa. São pelo menos três ou quatro avançando mais fortemente. E muitas outras empresas também estão ampliando as vendas online”, complementa Sartori. “Se algumas delas tiver um ‘soluço’ e devolver os imóveis, haveria demanda de ocupação pelas demais”. PublicidadePUBLICIDADEAlém das multinacionais já consolidadas - Mercado Livre, Shopee e Amazon - há outros grupos asiáticos interessados em ampliar suas atividades no Brasil, casos de TikTok Shop e Temu. Sem contar as empresas locais de outros setores que estão ampliando suas atividades online, como alimentos, farmacêuticas e materiais de construção. Os executivos acreditam que esse ciclo está longe do fim. A tendência, segundo eles, é que os investimentos em galpões continuarão sendo uma consequência da expansão acelerada do e-commerce, impulsionado pela digitalização do consumo, maior penetração do PIX, expansão dos marketplaces e investimentos em logística.Vale ler tambémMuito além das commodities: o agro nacional rumo às prateleiras do mundoSteve Jobs construiu a Apple; Tim Cook a transformou na maior empresa do mundoUBS voa alto no Brasil com o Multi Family Office Consenso