Nova safra de projetos localizados a até 90 minutos da capital aposta em baixa densidade, contato com a natureza e infraestrutura sofisticada para atrair o cliente 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Mercado de condomínios de luxo no interior de São Paulo segue aquecido em 2026, com projetos que levam para fora da capital um padrão de serviços e lazer até então associado a resorts e destinos exclusivos — Foto: FOTOS DE ADORNI FILMS/DIVULGAÇÃO A vida no campo ganhou uma nova tradução no mercado imobiliário de alto padrão paulista. Empreendimentos que combinam grandes áreas verdes, baixa densidade e infraestrutura sofisticada começam a ocupar a primeira prateleira do setor, levando para fora da capital um padrão de serviços e lazer mais associado a resorts e destinos exclusivos. No fim de agosto, a JHSF apresentou a convidados sua próxima fazenda, a Santa Helena, localizada em Bragança Paulista, a cerca de uma hora da capital. O empreendimento ocupará uma área de seis milhões de metros quadrados, dos quais 25% serão preservados com mata nativa. Com paisagismo de Maria João d’Orey, terá apenas 450 propriedades: 50 “villas” prontas para morar, assinadas pelos arquitetos Sig Bergamin e Murilo Lomas (que partem de R$ 16 milhões), e 400 estâncias e lotes a partir de três mil metros quadrados (R$ 3 mil cada um). Mais privacidade: no Boa Vista Estates, apenas 250 propriedades serão implementadas em uma área de sete milhões de metros quadrados — Foto: FOTOS DE ADORNI FILMS/DIVULGAÇÃO Segundo Augusto Martins, CEO da JHSF, a proposta reúne atributos que a empresa identifica como prioritários para seu público, a começar pela proximidade com a natureza. A estrutura inclui ainda um “mall” com 50 operações de comércio e gastronomia, quadras profissionais de tênis com três tipos de piso e um centro equestre ligado a 14 quilômetros de vias exclusivas para cavalos. “É um projeto que reflete o conjunto daquilo que o nosso cliente valoriza, com uma conexão muito forte com a natureza”, afirma Martins, destacando ainda a topografia montanhosa da região, o clima de serra, os lagos e a vegetação exuberante. “Essas características contribuíram para a escolha de um projeto de menor densidade. A proposta foi criar um condomínio mais exclusivo, atendendo à demanda de nossos clientes por maior privacidade”, conclui. Em março, a empresa já havia lançado o Boa Vista Estates, em Porto Feliz (SP), a 110 quilômetros da capital, uma expansão da fazenda que carrega esse mesmo conceito desde 2007. Em uma área de sete milhões de metros quadrados, serão apenas 250 propriedades, entre lotes de cinco mil metros quadrados e estâncias de dois hectares. Mais da metade do terreno será preservada ou destinada ao lazer. Entre os destaques está um campo de golfe de 18 buracos assinado pelo australiano Greg Norman. A estrutura inclui ainda parque linear, spa, instalações para esportes de raquete e futebol, restaurante, centro hípico e campo de polo equestre de padrão internacional. Com 450 lotes, estâncias e “villas” prontas, a Fazenda Santa Helena é a nova aposta da JHSF no interior paulista — Foto: JSF/DIVULGAÇÃO Lagoa Artificial A Cyrela acaba de estrear nesse mercado. Conhecida pelos empreendimentos de alto padrão na capital, a companhia apresentou o Heritage Riviera, também em Porto Feliz. O projeto será implantado em etapas, dentro de um “masterplan” de mais de 4,5 milhões de metros quadrados, com VGV total estimado entre R$ 3,5 bilhões e R$ 4 bilhões. A primeira fase terá 213 propriedades: 150 apartamentos de 170 a 280 metros quadrados, com áreas comuns assinadas pela marca Armani Casa, 34 “villas” residenciais e 29 lotes de 2,5 mil a três mil metros quadrados. Entre os equipamentos previstos está o Mouratoglou Tennis Center São Paulo, concebido por Patrick Mouratoglou, ex-treinador de Serena Williams. O condomínio terá ainda campo de golfe de 18 buracos, hípica e espaços de lazer e bem-estar. A grande atração, porém, será uma lagoa artificial própria para banho, desenvolvida com tecnologia Crystal Lagoons. Serão cerca de 35 mil metros quadrados de lâmina d’água, cercados por uma faixa de praia e cerca de um quilômetro de orla caminhável. Para Luís Coelho da Fonseca, co-CEO da corretora Coelho da Fonseca, o sucesso desses empreendimentos deve-se à sensação de liberdade e segurança que proporcionam. “As casas de campo permitem recuperar um pouco do que se perdeu na vida na capital: filhos brincando na rua, contato com a natureza e convivência em comunidade”, afirma. Segundo ele, os atributos mais valorizados são a infraestrutura de lazer e esportiva, serviços que facilitem o cotidiano da família, manutenção cuidadosa e localização próxima à capital. “A residência precisa fazer parte da rotina da família, e a proximidade com a capital possibilita isso e influencia a frequência de uso”, explica Fonseca. Sua empresa é fundadora do Haras Larissa, condomínio em Monte Mor, um dos pioneiros do segmento. O projeto tem vocação equestre e está em sua segunda fase, com lotes e “manèges” de até 30 mil metros quadrados. Heritage Riviera: com apartamentos, casas prontas e lotes, empreendimento marca a entrada da incorporadora no segmento campo — Foto: CYRELA/DIVULGAÇÃO Quem compra Segundo Camila Rinaldini, da agência Mila no Interior, especializada em empreendimentos de luxo no campo paulista, há quatro perfis de compradores: aqueles que buscam convívio social, os que desejam pertencimento, os que valorizam a privacidade e os que visam preservar patrimônio. A combinação deles é o que define o tipo de produto ideal. “Os dois primeiros preferem condomínios com uma agenda social mais intensa: compra-se o endereço e a vida que vem com ele. Já os demais priorizam a privacidade, lotes maiores, casas com arquitetura e estilo próprios, tratando o imóvel como um refúgio familiar”, explica Camila. Em Monte Mor, o Haras Larissa foi um dos pioneiros dentre os condomínios de altíssimo padrão fora da capital — Foto: GERSON JR./DIVULGAÇÃO