Minha filha me odeia pela proibição. Mas se é para me odiar, que seja pelos motivos certos 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Nicole Coates aponta para informações do Instagram sobre as Contas para Adolescentes em seu celular — Foto: Loren Elliott/The New York Times RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você Provou-se que as ferramentas do Insta, como rolagem infinita, curtidas públicas e notificações, foram criadas para viciar crianças (e todos nós). CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Passei por vários aeroportos no Brasil recentemente com telões promovendo a conta do Instagram para adolescentes. O anúncio se repetia incessantemente, numa técnica conhecida como argumentum ad nauseam: quanto mais se repete a mensagem, mais as pessoas a entendem como verdadeira. Era uma campanha invasiva e de coerção, que usava a desculpa do controle de conteúdo para a descarada imposição do Instagram para menores. Dava a entender que, se você tem um adolescente em casa, deve inscrevê-lo ainda hoje na plataforma. Se não tem, arranje algum a fim de equipá-lo com tão precioso benefício, o mecanismo de controle para contas de adolescente no Instagram. Não precisei adquirir um adolescente. Já tenho dois, e após cuidadosa reflexão (de um segundo) decidi que a melhor hora para terem uma conta antes dos 16 anos é nunca. Outros com raciocínio mais lento chegaram à mesma conclusão, como a Inglaterra e a Austrália, que proíbem contas para menores de 16 anos. Espanha, Dinamarca e Grécia vão anunciar restrições em breve. Li depois que a Meta foi denunciada ao Ministério Público de São Paulo por montar estandes junto a colégios. Chegavam pouco antes do horário de saída e distribuíam brindes com a logo do Insta. A Meta se defendeu dizendo ser esta uma ação educativa, a fim de “informar a sociedade” sobre as contas de adolescente, o raciocínio sendo: Sai a menina da escola. Vê o estande do Insta. Diz o representante: Oi, avise à sua mãe que ela pode controlar a sua conta do Instagram, tá? Porque tudo o que uma menina de 15 anos deseja é um maior controle dos pais. Segundo a Meta, nem passou pela sua benevolente cabeça corporativa a ideia de que estandes em portas de escola serviam para enfiar goela abaixo a plataforma para menores. A massiva campanha no Brasil se dá logo após a Meta perder nas cortes americanas. Provou-se que as ferramentas do Insta, como rolagem infinita, curtidas públicas e notificações, foram criadas para viciar crianças (e todos nós). “Somos basicamente traficantes. Causamos um distúrbio de déficit de recompensa. As pessoas ficam tanto tempo grudadas no Instagram que não conseguem mais sentir o retorno”, diz um dos memorandos da empresa divulgado na Corte. “É um círculo vicioso de validação social... você está explorando a vulnerabilidade na psicologia humana. (Nós) sabíamos e fizemos mesmo assim”, disse Sean Parker, fundador do Facebook, em outra declaração usada na Corte. A Meta terá que pagar US$ 17 bilhões ao governo americano, e aqui a coincidência, de promover as contas para adolescentes no sétimo país mais populoso do mundo, justo quando o cerco se aperta fora. O cérebro de um adolescente não está completamente formado. É mais difícil controlar impulsos. Na adolescência é quando a identidade se constrói, e não será o Instagram a construir a dos meus filhos. Minha filha me odeia pela proibição. Mas, se é para me odiar, que seja pelos motivos certos. O que se proporciona a uma adolescente sem redes é o direito de experimentar a vida sem elas e de ter a memória e o discernimento para escolher adiante. Ainda assim, é injusto que os pais sejam os vilões, enquanto as plataformas viciam usuários e lucram com anúncios para crianças (11 bilhões em 2022, de acordo com um estudo de Harvard). É o de hoje. O desabafo e desafio da pior mãe do mundo.
Instagram para adolescentes? Nunca
Minha filha me odeia pela proibição. Mas se é para me odiar, que seja pelos motivos certos
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