Confesso que ando um tanto desesperançosa com o mundo. Infelizmente, sou dessas pessoas que se informa, lê notícias (que não chegam através do grupo da família no WhatsApp) e, sendo assim, fica difícil não querer, dia sim, dia também, largar tudo e fugir para as montanhas. Como me disse uma amiga outro dia, em 2026 quem não está tomando remédio para ansiedade ou é burro ou está desinformado.

Sendo mulher e mãe de uma menina, a coisa fica um tanto mais pesada. O Brasil terminou 2025 com o maior número de feminicídios desde que o crime passou a ser contabilizado: foram 1.571 mulheres assassinadas, mais de quatro por dia. Em março, uma adolescente de 17 anos foi estuprada por colegas da escola em Copacabana. Há pouco menos de um mês, Giulia foi espancada pelo marido na presença do segurança da rua que, em vez de defendê-la, ajudou o agressor a levá-la para dentro de casa, onde a violência continuou.

Em qualquer lugar minimamente civilizado, as instituições estariam trabalhando incessantemente para prevenir novos casos, punir severamente agressores e oferecer mais suporte para as vítimas. Mas não. Em junho deste ano, numa sessão remota que durou 1 minuto e 40 segundos, o Senado aprovou uma medida que dificulta o acesso ao aborto legal para meninas menores de 14 anos vítimas de violência sexual.