Uma amiga me falou no meio da semana dizendo que estava sem energia, drenada pelo noticiário. Não é para menos. Tem dias em que abrir o jornal parece um teste de resistência psíquica. É a contabilidade macabra do feminicídio que não dá trégua, a violência urbana naturalizada e a constatação estarrecedora de que o país decidiu adotar o justiçamento como método oficial de acerto de contas.
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Nos últimos dias, dois episódios escancaram a falência do nosso pacto civilizatório. Em Copacabana, Cláudio Rafael, um homem de 37 anos com transtorno mental, foi cercado e espancado até a morte por um segurança e entregadores de aplicativo. O motivo? Pedalava uma bicicleta que o grupo julgou ser roubada –quando na verdade pertencia à irmã dele. Não teve averiguação, denúncia, polícia. Houve apenas a fúria covarde de quem se acha no direito de julgar, condenar e executar a pena capital ali mesmo no asfalto. Um dos agressores ainda teve a desfaçatez de comparecer à delegacia com a bicicleta da vítima.
Dias depois, no Largo de São Francisco, no centro do Rio, outro espancamento, desta vez dentro do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). Um estudante apareceu com uma camiseta contendo símbolos associados ao nazismo. Foi cercado, agredido e expulso sob socos e pontapés nas escadarias do prédio histórico.









