“Uma coisa é a polícia não ter capacidade de estar em todo o quarteirão, né? Mas tem jeito de fiscalizar. Outra coisa é você chegar e fazer justiça com as próprias mãos", afirmou a moradora. Segundo a reportagem do Fantástico, a própria vila onde Rafael morava com a família havia sido atacada por entregadores semanas antes da morte dele em busca de um "justiçamento". De acordo com moradora de Copacabana, grupos em redes sociais incentivam 'justiçamento'. — Foto: Reprodução/TV Globo/Fantástico No fim de junho, cerca de 20 entregadores arrombaram o portão da vila e promoveram um “quebra-quebra”. Segundo a polícia, eles procuravam um homem acusado de dar calote. Ainda de acordo com a polícia, os entregadores acabaram atacando moradores que não tinham relação com o caso. A invasão aconteceu antes do episódio que terminou com a morte de Rafael. Segundo a investigação, ele foi acusado injustamente de roubar uma bicicleta e passou a ser perseguido por dois entregadores, além de dois seguranças do bairro. Grupo de entregadores invadiu vila para cobrar uma dívida e atacaram casas de moradores inocentes. — Foto: Reprodução/TV Globo/Fantástico A informação de que havia um suposto ladrão de bicicleta foi repassada entre os envolvidos. Entregadores chegaram a abordar Rafael e chamá-lo de “ladrão” antes do início das agressões. O linchamento durou cerca de nove minutos e Rafael levou 63 pauladas, além de socos e chutes, durante esse período. Ele ficou cerca de 30 minutos aguardando o socorro e morreu depois de ser levado para atendimento. A polícia investiga também a participação de pessoas que presenciaram as agressões. “Todas as pessoas que presenciaram essa cena, que estiveram ali, a gente vai identificá-las, a gente pretende ouvi-las, até porque elas podem responder pelo crime de omissão de socorro. Elas presenciaram e nada fizeram”, disse o delegado Ângelo Lages, da Polícia Civil. Segundo a polícia, a atuação na segurança pública deve seguir as regras previstas no ordenamento jurídico. “Somente as polícias devem agir na segurança pública. Existe um ordenamento jurídico e todos têm direito ao devido processo legal", pontua Ângelo. A irmã de Claudio Rafael, dona da bicicleta usada por ele, afirma que continuará acompanhando o caso. "Justiça com as próprias mãos, isso não existe. O trabalho é da polícia e ponto", disse. Ouça os podcasts do Fantástico O podcast Isso É Fantástico está disponível no g1 e nos principais aplicativos de podcasts, trazendo grandes reportagens, investigações e histórias fascinantes em podcast com o selo de jornalismo do Fantástico: profundidade, contexto e informação. Siga, curta ou assine o Isso É Fantástico no seu tocador de podcasts favorito. Todo domingo tem um episódio novo. O podcast 'Prazer, Renata' está disponível no g1, no Globoplay, no Deezer, no Spotify, no Google Podcasts, no Apple Podcasts, na Amazon Music ou no seu aplicativo favorito. Siga, assine e curta o 'Prazer, Renata' na sua plataforma preferida.