"O trabalhador médio sente 11 tipos de medo num único dia de trabalho" me disse uma amiga durante um jantar em que conversávamos sobre o mundo corporativo e suas idiossincrasias.

A frase era fruto de um telefone sem fio que começou não sei onde, mas chegou aos ouvidos desta amiga durante uma palestra. O ambiente deu certa credibilidade à informação, assimilada como verdadeira pela ouvinte que me retransmitiu o dado.

Ao ouvi-la, analisei sua veracidade primeiro a partir da minha própria experiência. Me recordei de alguns ambientes corporativos em que trabalhei e concluí que sim, a frase soava verdadeira e reconfortante. Pelo visto eu não era a única a carregar o medo nas costas, tomando diferentes formas, ao longo de um único dia de trabalho.

No dia seguinte, ainda impactada com a informação, fui pesquisar qual estudo havia concluído o que para mim havia sido a realidade por tanto tempo. E, para minha surpresa, não encontrei nada. Nem Google, nem ChatGPT foram capazes de apontar de onde vinha aquela frase de impacto lançada de forma tão confiante diante de uma plateia atenta. Fui então obrigada a aceitar que o estudo nunca existiu.

Tudo bem, talvez nenhum estudo jamais tenha conseguido quantificar quantos medos o trabalhador médio sente num dia de trabalho, mas não faltam evidências de que, sim, nossa relação com o trabalho é permeada por medo e ansiedade.