Cresci entre mulheres. Femininas, fortes, emancipadas. Os homens da casa, coitados, tentavam acompanhar o ritmo. Eram os primeiros a levantar a bandeira branca, ofegantes e derrotados.
Agora que penso nelas, imagino que ficariam horrorizadas com certos discursos contemporâneos sobre as mulheres —muitos deles produzidos pelas próprias mulheres. Discursos que oscilam entre a rendição reacionária e o vitimismo mais absurdo. Exagero?
Não creio. A autora Zoe Strimpel também não. Ela escreveu um dos livros do ano, "Good Slut: How Money, Sex and Power Set Women Free", e está sendo crucificada dos dois lados da trincheira.
Strimpel não vive na Lua. A violência contra mulheres, a discriminação e a desigualdade existem e persistem.
Mas o ponto de Strimpel é outro: existe um fosso entre o discurso de desastre sobre a condição feminina e a realidade de oportunidades, direitos e justiça relativa que hoje se apresenta às mulheres em boa parte do Ocidente.







