Quando Temer assumiu a Presidência em 2016, ao lado da advogada Marcela, a "bela, recatada e do lar", a fotografia de um ministério exclusivamente masculino parecia a abertura de um portal para o passado. Nostalgia é sintoma de fracasso.
Dava-se o alerta de que o tempo de uma mulher ter direitos iguais ou presidir um país passaria a ser questionável. A mensagem subliminar da derrubada da Dilma, considerada arrogante, foi essa —"permitimos" que uma mulher assumisse o comando da nave sem rumo na crise das commodities, a marola da quebra financeira global de 2008 virou tsunami, ficamos à deriva e tivemos que, numa feijoada completa, com Supremo, PIB, agro e tudo, arrumar o convés.
A maioria dos conservadores implica com tudo. Casais homoafetivos, trans em banheiros públicos, peças e exposições que questionam valores cristãos, indígenas, cotas identitárias e, sobretudo, com as mulheres.
A onda agora é defender a educação domiciliar, como se mães não trabalhassem. Volta o odor de ideais absolutistas —algo acima de tudo, acima de todos. Tem até bolsonarista afirmando que mulheres votam mal.
O problema dos conservadores é com o futuro. Querem conservar no presente a falta de direitos individuais do passado. A Suprema Corte americana, ao ganhar maioria conservadora, derrubou o precedente constitucional estabelecido em 1973, o direito ao aborto, um dos maiores avanços do movimento feminista.












