Ao dizer que 'mulher vota mal pra c...', neto de ditador escancarou o que a turma pensa 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) e o enteado e pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL) — Foto: Beto Barata/PL e Cristiano Mariz/O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 04/07/2026 - 11:52 Posse de Michelle Bolsonaro no PL Mulher: desafios e tensões internas no partido No evento de posse de Michelle Bolsonaro como presidente do PL Mulher, o protagonismo masculino e declarações machistas evidenciaram desafios no relacionamento do partido com o eleitorado feminino. Flávio Bolsonaro enfrenta uma crise após comentários ofensivos de aliados sobre mulheres, dificultando sua estratégia para atrair votos femininos, crucial após a derrota de Bolsonaro em 2018. Michelle, alvo de ataques, deixou o cargo, expondo tensões internas no clã. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO No dia em que Michelle Bolsonaro assumiu a presidência do PL Mulher, os homens é que dominaram o microfone. O primeiro a discursar foi Jair Bolsonaro. Depois falaram mais quatro engravatados: Valdemar Costa Neto, Altineu Côrtes, Jorginho Mello e Magno Malta. Em participação por vídeo, o capitão exaltou o crescimento do partido, mas ignorou os temas femininos. Valdemar leu uma longa nominata, e Côrtes cometeu uma gafe ao apresentar a mulher de um deputado gaúcho como sua filha. Sem medo de soar machista, Jorginho se queixou do “sacrifício” e do “sofrimento” de ter que encontrar nomes para preencher a cota de 30% de candidaturas femininas. “Nós precisamos aumentar essa chorumela de que sempre falta mulher para disputarem” (sic), afirmou. Dublê de pastor e senador, Malta aproveitou o evento para provocar a comunidade trans. “Mulher é mais forte porque nasceu com uma peça a mais. Mulher tem útero”, bradou, antes de dizer que a distinção não poderia ser superada “nem com cirurgia nem com ideologia”. Quando chegou sua vez de falar, Michelle chamou o marido de “grande líder” e disse que muitas mulheres resistem a “entrar no ambiente hostil da política”. Parecia antever os conflitos que ela mesma viveria no partido e na família. A ex-primeira-dama assumiu o PL Mulher em março de 2023. Deixou o cargo nesta terça-feira, depois de se dizer “maltratada”, “desrespeitada” e “humilhada” pelo enteado e presidenciável Flávio Bolsonaro. Desde que gravou um vídeo para expor a desavença familiar, ela virou alvo de ataques de figuras influentes na extrema direita. Entre os adjetivos publicáveis, foi chamada de “traidora” e “feminista” — ofensa grave no universo bolsonarista. Com orçamento para promover eventos, fazer propaganda e rodar o país de jatinho, Michelle filiou mais de 70 mil mulheres ao PL. Planejava virar senadora e eleger candidatas evangélicas em todo o país. Sua desenvoltura causou ciúmes e alimentou, entre os filhos do capitão, a suspeita de que ela pretendia liderar uma bancada própria no Congresso a partir de 2027. Há quatro anos, o voto das mulheres foi determinante na derrota de Bolsonaro. O capitão pagou pelo culto às armas, pelo desgoverno na pandemia e pelo histórico de declarações e atitudes misóginas. Orientado por marqueteiros, Flávio buscava se dissociar dessa herança. Para se mostrar diferente, chegou a vestir uma camiseta com a inscrição “pai de menina”. A briga com Michelle já havia minado a estratégia. Agora surge outro problema para romper a barreira do voto feminino, segmento em que Lula abriu 15 pontos de vantagem no Datafolha. Ao dizer que “mulher vota mal pra c...”, o blogueiro Paulo Figueiredo escancarou o que vai na cabeça dos ideólogos do clã. Flávio levou seis dias para declarar que discorda do aliado, seu estrategista e porta-voz nos Estados Unidos. Não adianta reclamar do neto do último ditador. Ele só disse o que a turma pensa.
Uma nova barreira entre Flávio Bolsonaro e o voto feminino
Ao dizer que 'mulher vota mal pra c...', neto de ditador escancarou o que a turma pensa







