Levantamento da AtlasIntel mostra que população está dividida sobre a medida e também questiona legitimidade de Delcy Rodríguez de negociar pactos de longo prazo 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Os venezuelanos estão divididos sobre o acordo petrolífero firmado pelo governo Trump com as autoridades interinas do país, e metade afirma que o entendimento beneficiará mais os Estados Unidos do que a Venezuela Segundo o LatAm Pulse, pesquisa da AtlasIntel realizada para a Bloomberg News e divulgada nesta terça-feira, cerca de 38% dos entrevistados disseram ser contrários ao acordo, enquanto aproximadamente 35% afirmaram apoiá-lo. Outros 27% disseram estar indecisos. Os resultados mostram o desafio político enfrentado pela presidente interina Delcy Rodríguez, que tem sido alvo de críticas tanto de setores linha-dura do governo quanto da oposição desde que Donald Trump anunciou que os Estados Unidos assumiriam o controle de mais de 65 bilhões de barris das reservas de petróleo da Venezuela. Muitos venezuelanos questionam se o acordo é justo e se Rodríguez tem autoridade para negociá-lo. A presidente interina, por sua vez, tenta conter o desgaste político e manter-se no poder. Ainda assim, sua taxa de desaprovação — que vinha subindo de forma contínua desde que assumiu a Presidência, após forças americanas capturarem Nicolás Maduro em 3 de janeiro — caiu quatro pontos percentuais, para 60,5%. Cerca de seis em cada dez entrevistados disseram esperar que o acordo petrolífero tenha impacto muito positivo, positivo ou neutro em seu dia a dia. Mesmo assim, 50% afirmaram que o entendimento beneficiará mais os Estados Unidos do que a Venezuela. Outros 28% disseram que os dois países se beneficiarão igualmente, enquanto apenas 10% afirmaram que a Venezuela será mais beneficiada. Também persistem dúvidas sobre a legitimidade do governo para firmar acordos de longo prazo envolvendo os recursos naturais do país. Cerca de 47% disseram que a atual administração não tem legitimidade para negociar esse tipo de compromisso, enquanto 36% afirmaram que o acordo compromete a soberania da Venezuela. A líder da oposição María Corina Machado, que questionou a autoridade de Rodríguez para negociar o acordo, mas evitou criticar diretamente o entendimento, continua sendo a figura política com a imagem mais positiva no país. Sua avaliação favorável, porém, caiu 19 pontos percentuais, para 53%, voltando aos níveis registrados em junho e nos meses anteriores, depois de atingir um pico de 72% em julho. A AtlasIntel ouviu 1.922 adultos em toda a Venezuela entre 30 de agosto e 3 de setembro. A pesquisa tem margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. Delcy Rodríguez, presidente interina da Venezuela — Foto: AP/Pedro Mattey