Pelos detalhes divulgados pela Casa Branca, Washington criará uma joint venture com a petrolífera privada Nabep, que pertence ao polêmico empresário venezuelano Alejandro Betancourt 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Acordo de Trump sobre petróleo da Venezuela reprisa passado colonial — Foto: Pedro Mattey/AP O governo dos Estados Unidos detalhou na noite de segunda-feira o plano para assumir o controle das reservas de petróleo da Venezuela. Pelo acordo, Washington criará uma joint venture com a petrolífera privada North American Blue Energy Partners (Nabep), que pertence ao polêmico empresário venezuelano Alejandro Betancourt e já é a segunda maior operadora do país, atrás da Chevron. Nesse contexto, a Nabep receberá uma concessão de 100 anos para 17 campos de petróleo na Venezuela, que possuem cerca de 65 bilhões de barris em reservas. Os EUA, por sua vez, ficarão com uma participação acionária de 35% na controladora da empresa, receberão 20% da produção de petróleo de forma garantida e terão direito de preferência para comprar todo o restante da produção. Além disso, Washington terá poder de veto sobre nomeações para o conselho de administração. A parceria com a empresa de Betancourt — e o papel central que ele desempenhará no acordo — está gerando dúvidas e hesitação entre algumas petrolíferas que avaliam investimentos no país. Parte dos campos petrolíferos que a empresa explorará eram controlados por companhias da China e da Rússia. O empresário venezuelano já foi alvo de investigações de autoridades americanas e europeias devido a negócios anteriores com o governo venezuelano, mas nunca foi formalmente acusado. Ele já negou anteriormente as acusações contra ele. “As grandes petrolíferas e empresas estrangeiras de grande porte que negociam a migração de contratos querem ter certeza de que não estarão sentadas à mesma mesa que Betancourt”, disse uma pessoa envolvida nos preparativos de um evento no qual se espera que contratos de energia sejam assinados nesta semana. A Nabep, que produz cerca de 170 mil barris de petróleo por dia, não respondeu imediatamente a um pedido de comentário para esta reportagem. Em comunicado enviado por email depois que a Casa Branca divulgou os detalhes do acordo, Betancourt afirmou que a transação “liberará esse potencial para grande benefício tanto dos venezuelanos quanto dos americanos”. “O sr. Betancourt atua na indústria petrolífera venezuelana há mais de 15 anos, com um histórico consistente de sucesso, mais recentemente à frente da Nabep, onde ampliou rapidamente a produção da empresa”, afirmou a companhia no comunicado, acrescentando que tem como meta de curto prazo elevar a produção para mais de 1 milhão de barris de petróleo por dia. Outras empresas podem ser mais cautelosas, o que ilustra a difícil tarefa que o presidente Donald Trump enfrenta para convencer grandes petrolíferas americanas, particularmente ExxonMobil e ConocoPhillips, a investir na Venezuela e ampliar rapidamente a produção de petróleo do país. As duas empresas deixaram a Venezuela em 2007, depois que seus ativos foram nacionalizados pelo governo do então presidente Hugo Chávez, e ambas afirmaram repetidamente que suas exigências de segurança jurídica e respeito aos contratos ainda não foram atendidas para que retornem ao país. Trump disse a jornalistas na segunda-feira que a Exxon estava entre as empresas que entrariam na Venezuela, sem dar mais detalhes. A ExxonMobil não quis comentar quando questionada sobre a declaração de Trump. Um porta-voz da ConocoPhillips remeteu a uma declaração anterior segundo a qual qualquer decisão de investimento seria orientada por uma série de fatores, incluindo estabilidade das políticas e respeito ao Estado de Direito. Chamas saem das tochas da refinaria de Amuay, em Los Taques, Venezuela, em 14 de janeiro de 2026 — Foto: AP Photo/Matias Delacroix, Arquivo Governo dos EUA poderia se tornar concorrente A estrutura planejada para o acordo e os enormes ativos que a Nabep poderia acumular no país sul-americano membro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) estão levantando preocupações de que petrolíferas americanas possam acabar enfrentando a concorrência do próprio governo dos Estados Unidos na Venezuela, acrescentaram as fontes. Isso poderia criar mais obstáculos ao objetivo de Trump de aumentar a produção e as exportações de petróleo da Venezuela para ampliar as reservas dos EUA, disse Alejo Czerwonko, diretor de investimentos em mercados emergentes do UBS. “Seriam necessários investimentos consideráveis e o conhecimento técnico de empresas como Exxon e ConocoPhillips”, afirmou. “Como atrair essas empresas para o país?” “Ainda há muitas incógnitas e elementos confusos”, disse Radhika Bansal, vice-presidente sênior da Rystad Energy, em entrevista na segunda-feira, antes de a Casa Branca divulgar os detalhes do acordo. Há, no entanto, alguns acordos sendo fechados. Chevron — maior produtora americana de petróleo na Venezuela e que nunca deixou o país —, juntamente com a italiana Eni, a indiana ONGC, a colombiana GeoPark e a americana GE Vernova, estão a caminho de assinar acordos para projetos de energia na Venezuela nesta semana, informou a Reuters na segunda-feira. Esses acordos e outros, incluindo licenças concedidas recentemente à Shell e à BP para grandes projetos de gás offshore, são separados da iniciativa dos EUA com a Nabep. A maioria dessas empresas e dezenas de outras negocia desde o início do ano a migração de seus contratos existentes na Venezuela para novos termos autorizados por uma ampla reforma do setor de energia, que também incentiva a expansão de projetos. A Chevron tenta acrescentar pelo menos um novo bloco no vasto Cinturão do Orinoco ao seu portfólio e também pretende negociar uma área no norte de Monagas que poderia se tornar uma fonte de diluentes para sua produção de petróleo extrapesado. Uma chama de gás queima na refinaria de Cardón, parte do Complexo de Refino de Paraguaná, enquanto anos de falta de investimentos, falhas em equipamentos e escassez prejudicam a produção de combustíveis na Venezuela, em Punta Cardón, Venezuela, em 6 de maio de 2026 — Foto: REUTERS/Gaby Oraa/Foto de arquivo
EUA terão preferência na compra de petróleo em acordo com Venezuela
Pelos detalhes divulgados pela Casa Branca, Washington criará uma joint venture com a petrolífera privada Nabep, que pertence ao polêmico empresário venezuelano Alejandro Betancourt













