Especialistas avaliam que o ambicioso plano do republicano traz riscos de longo prazo para as petroleiras que decidirem operar no país 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Donald Trump e a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez: acordo dá aos EUA direito de atuar em 17 campos de petróleo no país — Foto: ANDREW CABALLERO-REYNOLDS e Federico PARRA / AFP O plano do presidente Donald Trump de assumir o controle direto das reservas de petróleo da Venezuela está provocando alertas de que a nação latino-americana poderá se tornar uma moderna colônia de recursos naturais, semelhante às chamadas “repúblicas das bananas” de um século atrás — algo que poderia criar riscos de longo prazo para as empresas petrolíferas que operam no país. Trump afirmou na noite de sexta-feira que havia chegado a um acordo com a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, pelo qual os Estados Unidos controlarão mais de 65 bilhões de barris de petróleo “por meio de uma parceria com empresas privadas”. Concessão de 100 anos Embora ainda sejam escassos os detalhes adicionais, o plano impressiona por seu tamanho e ambição. A nova empresa terá uma concessão de 100 anos sobre 17 campos de petróleo, tornando-se a segunda maior detentora corporativa de reservas comprovadas do mundo, atrás apenas da Saudi Aramco, segundo uma autoridade americana. Ainda assim, a recuperação do setor petrolífero venezuelano provavelmente exigirá investimentos privados de enormes proporções. Novos acordos comerciais poderão ser fechados já nesta semana. A Chevron Corp. e outras empresas americanas de energia estão negociando acordos para ampliar suas operações na Venezuela, embora essas negociações sejam separadas dos investimentos diretos dos Estados Unidos nos campos de petróleo do país, segundo pessoas familiarizadas com o assunto disseram no fim da semana passada. Parceiro é magnata venezuelano controverso Alejandro Betancourt, um controverso magnata venezuelano do petróleo que recentemente surgiu como um importante intermediário entre Washington e Caracas, também está discutindo uma parceria com o Departamento de Defesa dos EUA, informou a Bloomberg. Esses acontecimentos estão levando analistas e acadêmicos a olhar para uma época anterior de neocolonialismo, quando os Estados Unidos exerciam um poder desproporcional sobre a América Latina e seus recursos naturais. Efeitos do neocolonialismo Essa estratégia, empregada durante grande parte do século XX, provocou agitação popular, vários golpes de Estado e o enfraquecimento da democracia — condições que contribuíram para a expropriação e a nacionalização de ativos petrolíferos pertencentes a empresas estrangeiras. A conturbada história do petróleo venezuelano oferece um alerta. O país já foi dominado por empresas americanas e europeias e esteve entre os maiores produtores de petróleo do mundo. Mas os ativos pertencentes à ExxonMobil Holdings Corp. e à ConocoPhillips foram confiscados e nacionalizados durante a turbulência política dos anos 2000. A Chevron foi a única empresa americana de perfuração a manter uma presença no país. Risco de repúdio a contratos Um dos grandes testes para Trump e seus aliados será saber se a atual série de acordos conseguirá evitar reversões semelhantes no futuro. A Casa Branca não respondeu imediatamente a um pedido de comentário. “Se eu fosse um investidor na Venezuela agora, estaria me perguntando se haverá um governo no futuro que irá repudiar os contratos”, disse Francisco Rodríguez, economista venezuelano e professor da Universidade de Denver. O anúncio da nova empresa americana ocorre quase oito meses depois da dramática captura, por forças especiais dos EUA, do antecessor de Rodríguez, Nicolás Maduro. Doutrina Donroe Logo após a operação, Trump apresentou sua visão do que chamou de Doutrina Donroe — uma versão do século XXI da Doutrina Monroe, que advertia as potências europeias contra interferências no Hemisfério Ocidental. Trump também deixou claro que a operação tinha tanto a ver com petróleo quanto com as acusações de narcoterrorismo e tráfico de drogas feitas contra o agora encarcerado líder autoritário. Segundo Trump, recuperar o devastado setor petrolífero venezuelano por meio de enormes investimentos de produtores americanos ajudaria a fortalecer a economia debilitada do país latino-americano e, ao mesmo tempo, contribuiria para reduzir os preços da gasolina para os americanos. Resistência do Irã Desde então, o presidente americano tem demonstrado frustração com a cautela dessas empresas em voltar à Venezuela. A ideia de garantir fontes adicionais de petróleo bruto tão perto dos Estados Unidos, do outro lado do Caribe, ganhou uma nova urgência à medida que o Irã continua restringindo o fornecimento através do Estreito de Ormuz e mantendo elevados os preços globais da energia. Ainda assim, apesar da retórica de Trump — em maio, ele publicou nas redes sociais um mapa que representava a Venezuela como o 51º estado dos Estados Unidos —, poucos previram uma tentativa tão ousada de assumir uma participação direta na riqueza petrolífera de outra nação.
Petróleo: Acordo de Trump gera alertas de que Venezuela pode se tornar colônia de recursos naturais
Especialistas avaliam que o ambicioso plano do republicano traz riscos de longo prazo para as petroleiras que decidirem operar no país











