Passados oito meses da captura do ditador Nicolás Maduro e de tutela sobre o governo remanescente da Venezuela, os Estados Unidos fecharam um esdrúxulo acordo para garantir seu acesso a cerca de 20% das reservas estimadas de petróleo do país caribenho.

Não virá de Donald Trump nenhum constrangimento com o entendimento firmado com uma presidente interina, Delcy Rodríguez, ex-bolivariana convicta, que era vice de um regime mantido à base de fraudes eleitorais globalmente denunciadas.

A estranheza prossegue com a concessão por cem anos de 17 campos de petróleo à North American Blue Energy Partners (Nabep), companhia fundada em 2024 pelo controverso empresário venezuelano Alejandro Betancourt. O governo americano deterá 35% de seu capital.

Está subentendida, nos termos do acordo, a destinação dos campos operados atualmente por empresas chinesas e russas para a joint venture Nabep-Casa Branca. O pacto é mais claro ao fixar o direito dos EUA a 20% do petróleo comercializado, a preço de custo, e a sua preferência na venda dos 80% restantes.

Delcy Rodríguez argumenta que o acordo resultará em investimento de US$ 100 bilhões na estrutura petroleira venezuelana e US$ 209 bilhões em receitas. Mas as cifras podem crescer. A Chevron, única petroleira americana no país, anunciou a injeção de US$ 7 bilhões em cinco anos para dobrar sua produção a 600 mil barris por dia.