Medida ocorre em meio ao aumento da violência na região e aprofunda o isolamento diplomático de Israel 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O ministro das Relações Exteriores britânico, Ed Miliband, fala durante uma entrevista coletiva em Madri, na Espanha, em 29 de julho de 2026 — Foto: Leon Neal/Pool Foto via AP, Arquivo O Reino Unido, a França e outros 10 países anunciaram de forma conjunta nesta terça-feira uma proibição ao comércio de produtos fabricados em assentamentos israelenses na Cisjordânia ocupada, na mais recente rodada de sanções contra Israel em meio ao crescente isolamento diplomático do país. O ministro das Relações Exteriores britânico, Ed Miliband, afirmou que o Reino Unido não podia mais simplesmente “denunciar” a injustiça e o sofrimento e disse à Câmara dos Comuns (similar à Câmara dos Deputados brasileira) que o país agora precisava “agir” para se opor à expansão dos assentamentos. “Hoje nos recusamos a permanecer como meros espectadores diante de mais sofrimento e da destruição da solução de dois Estados”, afirmou Miliband, referindo-se ao apoio de longa data do Reino Unido à solução de dois Estados, à qual Israel se opõe. Canadá, Dinamarca, Finlândia, Islândia, Irlanda, Noruega, Polônia, Portugal, Espanha e Suécia são as outras nações que aplicarão as sanções contra os assentamentos. Os Estados Unidos, por meio de seu embaixador em Israel, já criticaram as novas sanções britânicas, enquanto dois ministros israelenses pediram a adoção de medidas contra o Reino Unido. Miliband, que assumiu como ministro das Relações Exteriores britânico em julho, também afirmou que a posição do Reino Unido é de que a ocupação da Cisjordânia é ilegal e que Londres considera que há uma limpeza étnica de palestinos em áreas do território. O impacto sobre os 6 bilhões de libras (US$ 8,12 bilhões) do comércio bilateral anual provavelmente será pequeno, e ainda não está claro como o Reino Unido fará a distinção entre produtos originários dos assentamentos na Cisjordânia e aqueles fabricados em Israel. O ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, escreveu na rede social X que “a França vai pôr fim ao comércio com os assentamentos israelenses na Palestina, juntamente com outros 11 países que também assumiram compromissos semelhantes”. “Por que estamos fazendo isso? Porque a Cisjordânia está perto de explodir — há uma expansão desenfreada dos assentamentos, uma escalada da violência de colonos extremistas contra palestinos e atos de terrorismo que foram condenados pelas próprias autoridades israelenses”, acrescentou Barrot na publicação. Forças israelenses realizam uma operação em Anata, na Cisjordânia ocupada por Israel, em 8 de setembro de 2026 — Foto: REUTERS/Ammar Awad Reação israelense Dois importantes ministros israelenses reagiram com indignação à medida. O ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, pediu a expulsão do embaixador britânico em Tel Aviv, enquanto o ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, pediu a Netanyahu que feche o consulado britânico em Jerusalém Oriental, que é credenciado junto à Autoridade Palestina na Cisjordânia. O presidente israelense, Isaac Herzog, por sua vez, acusou o Reino Unido de interferir nas próximas eleições de Israel, previstas para o fim de outubro. As preocupações recentes se concentram no projeto israelense de assentamento E1, na Cisjordânia, não muito distante de Jerusalém, que atravessaria terras reivindicadas pelos palestinos para um futuro Estado independente e que, segundo Miliband, coloca em risco a solução de dois Estados. Smotrich anunciou nesta terça-feira o avanço dos planos para a construção de mil novas moradias em outros dois assentamentos na Cisjordânia. A Organização das Nações Unidas (ONU), os palestinos e a maioria dos países consideram os assentamentos ilegais segundo o direito internacional. Israel contesta essa posição. Em 2025, o Reino Unido se juntou a outros países no reconhecimento de um Estado palestino como forma de promover uma solução de dois Estados e, em junho, impôs sanções a redes israelenses envolvidas no financiamento, facilitação e prática de violência na Cisjordânia ocupada por Israel. As relações entre Israel e Reino Unido ficaram cada vez mais tensas nos últimos anos, com Londres criticando a conduta israelense em Gaza, a expansão dos assentamentos na Cisjordânia e o aumento dos ataques de colonos contra palestinos. O embaixador dos EUA em Israel, Mike Huckabee, disse à BBC que as sanções representavam “discriminação contra o povo judeu”. Ele alertou que elas poderiam potencialmente limitar a capacidade do Reino Unido de fazer negócios em alguns Estados americanos que impedem empresas que boicotam Israel de participar de contratos públicos, processos de compras governamentais ou investimentos públicos. Os produtos originários dos assentamentos são principalmente agrícolas, incluindo produtos frescos e vinho, e representam apenas uma parcela muito pequena dos fluxos comerciais totais de Israel. Palestinos verificam os danos depois que colonos israelenses extremistas incendiaram máquinas de uma pedreira, segundo moradores, perto de Hebron, na Cisjordânia ocupada por Israel, em 21 de agosto de 2026 — Foto: REUTERS/Mussa Qawasma O gabinete do primeiro-ministro de Israel e o Ministério das Relações Exteriores israelense não responderam imediatamente aos pedidos de comentário.