Washington ameaça sancionar países que fornecem combustível à ilha, intensificando pressão sobre uma economia já fragilizada pelas sanções americanas desde 1962 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O aumento vertiginoso do preço dos combustíveis elevou o custo de praticamente tudo em Cuba, inclusive dos alimentos — Foto: The New York Times Cuba denunciou nesta segunda-feira que o embargo dos Estados Unidos causou prejuízos de mais de US$ 8 bilhões (cerca de R$ 41 bilhões) entre março de 2025 e fevereiro de 2026, um "valor recorde" que, segundo o governo, sequer reflete o impacto do bloqueio de petróleo imposto por Washington. A estimativa, apresentada pelo ministro das Relações Exteriores, Bruno Rodríguez, antes da votação anual sobre o embargo na Assembleia Geral da ONU em outubro, chega a US$ 8,083 bilhões e supera em 7% o recorde registrado um ano antes. "O valor não inclui os prejuízos do bloqueio energético nem as sanções secundárias", afirmou Rodríguez, referindo-se às medidas adotadas pelo governo Donald Trump neste ano. Desde janeiro, Washington ameaça sancionar os países que fornecem combustível a Cuba, intensificando a pressão sobre uma economia já fragilizada pelas sanções americanas desde 1962. Desde então, apenas um petroleiro russo chegou à ilha. Essa pressão foi agravada em maio por um regime de sanções secundárias direcionadas a empresas estrangeiras que mantêm laços comerciais com Cuba, levando à saída de inúmeras empresas, especialmente nos setores de turismo e mineração, duas importantes fontes de divisas para o país. "O bloqueio não pune um governo; pune o cotidiano de um povo em todos os seus aspectos", afirmou Rodríguez. "Falta de Vontade" O Ministro das Relações Exteriores aproveitou a apresentação do documento para denunciar o impacto do recente endurecimento das sanções americanas, que agravaram a crise energética, com apagões que por vezes ultrapassam 60 horas consecutivas. Segundo Rodríguez, as restrições ao fornecimento de combustível e a pressão sobre as empresas de transporte marítimo dificultam a chegada de recursos à ilha e afetam serviços essenciais como transporte, água e saúde. Bloqueio total de combustíveis mergulha Cuba em sua pior crise energética recente 1 de 20 Já não há mais gasolina nos postos oficiais e no mercado negro o combustível é comercializado a US$ 9,00 o litro. Foto Yan Boechat 2 de 20 Mulher observa prateleiras vazias de uma farmácia na região central da capital cubana. Foto Yan Boechat X de 20 Publicidade 20 fotos 3 de 20 Moradores do centro de Havana percorrem as bodegas, mini-mercados estatais, em busca de suprimentos básicos a preços subsidiados. Foto Yan Boechat 4 de 20 Mesmo em meio às ameaças de colapso, cubanos seguem buscando meio de encontrar diversão e não suspenderam sequer as festas de 15 anos, extremamente populares no país. Foto Yan Boechat X de 20 Publicidade 5 de 20 Moradores do centro de Havana percorrem as bodegas, mini-mercados estatais, em busca de suprimentos básicos a preços subsidiados. Foto Yan Boechat 6 de 20 Com agravamento da crise, igrejas evangélicas neo-petencostais ganham força entre cubanos prometendo intervenção divina sobre a crise que fustiga o país. Foto Yan Boechat X de 20 Publicidade 7 de 20 Com agravamento da crise, igrejas evangélicas neo-petencostais ganham força entre cubanos prometendo intervenção divina sobre a crise que fustiga o país. Foto Yan Boechat 8 de 20 Com agravamento da crise, igrejas evangélicas neo-petencostais ganham força entre cubanos prometendo intervenção divina sobre a crise que fustiga o país. Foto Yan Boechat X de 20 Publicidade 9 de 20 O Malecón, grande molhe que protege Havana do mar, ainda é fonte de diversão para os segmentos mais pobres da população. Foto Yan Boechat 10 de 20 Mesmo com a pior crise que o país enfrenta em décadas, os serviços de educação e saúde seguem operando em Havana, como essa escola de boxe em Havana Vieja. Foto Yan Boechat X de 20 Publicidade 11 de 20 Havana tem registrado apagões constantes por conta da escassez de combustível causada pelo bloqueio americano, que há mais de um mês não permite a entrada de petróleo na Ilha. Foto Yan Boechat 12 de 20 Com a crise de combustíveis que afeta o país, há cada vez menos carros nas ruas de Havana. Foto Yan Boechat X de 20 Publicidade 13 de 20 Sem combustível para abastecer os caminhões, serviços públicos essenciais, como a coleta de lixo, se tornam cada vez mais raros. Foto Yan Boechat 14 de 20 Com a crise de combustíveis que afeta o país, há cada vez menos carros nas ruas de Havana. Foto Yan Boechat X de 20 Publicidade 15 de 20 Sem combustível para abastecer os caminhões, serviços públicos essenciais, como a coleta de lixo, se tornam cada vez mais raros. Foto Yan Boechat 16 de 20 -Sem combustível para abastecer os caminhões, serviços públicos essenciais, como a coleta de lixo, se tornam cada vez mais raros. Foto Yan Boechat X de 20 Publicidade 17 de 20 Crianças brincam em um parque infantil em ruínas que também serve de lixeira comunitária no centro de Havana. Foto Yan Boechat 18 de 20 Sem combustível para abastecer as usinas térmicas de energia, boa parte de Havana fica às escuras em várias partes do dia e da noite. Foto Yan Boechat X de 20 Publicidade 19 de 20 O Malecón, grande molhe que protege Havana do mar, ainda é fonte de diversão para os segmentos mais pobres da população. Foto Yan Boechat 20 de 20 avana tem registrado apagões constantes por conta da escassez de combustível causada pelo bloqueio americano, que há mais de um mês não permite a entrada de petróleo na Ilha. Foto Yan Boechat X de 20 Publicidade Com escassez, cubanos voltam a andar a pé e ruas são tomadas por lixo e esgoto Como exemplo, mencionou que algumas cirurgias tiveram que ser realizadas com o uso de lâmpadas recarregáveis ​​e lanternas de celulares utilizadas por profissionais da saúde. Ele também citou a deterioração de diversos indicadores sociais, incluindo o aumento da mortalidade infantil, que subiu de 4 por 1.000 nascidos vivos em 2018 para 9,9 em 2025. Apesar dessa situação, ele rejeitou a noção de que Cuba enfrenta uma emergência humanitária. "Não haverá uma crise humanitária em Cuba", afirmou, aludindo à solidariedade entre os habitantes da ilha. Rodríguez também confirmou que Cuba mantém canais de comunicação com o Departamento de Estado, embora tenha descartado qualquer progresso nas negociações devido à "falta de vontade" por parte do governo dos Estados Unidos. O ministro das Relações Exteriores questionou ainda por que o governo americano ainda não entregou a maior parte dos US$ 100 milhões em ajuda humanitária prometidos em maio pelo secretário de Estado Marco Rubio, dos quais apenas "o envio de um kit de alimentos e higiene para 700 famílias cubanas foi realizado". "Paradoxo" A intensa pressão de Washington sobre Havana coincide, no entanto, com um aumento sem precedentes nas compras cubanas nos Estados Unidos, impulsionado principalmente pelo crescente setor privado da ilha. Segundo dados divulgados na semana passada pelo Departamento do Censo dos EUA, Cuba importou US$ 149 milhões (cerca de R$ 763 milhões) em mercadorias em julho, o maior valor mensal registrado desde 1992. Flotilha de ajuda humanitária chega a Cuba 1 de 6 Navio Maguro, vindo do México com ajuda humanitária como parte do comboio Nuestra América, atraca no porto de Havana — Foto: ADALBERTO ROQUE / AFP 2 de 6 Navio Maguro, vindo do México com ajuda humanitária como parte do comboio Nuestra América, atraca no porto de Havana — Foto: YAMIL LAGE / AFP X de 6 Publicidade 6 fotos 3 de 6 Navio Maguro, vindo do México com ajuda humanitária como parte do comboio Nuestra América, atraca no porto de Havana — Foto: YAMIL LAGE / AFP 4 de 6 Ativistas cumprimentam autoridades após a chegada do navio Maguro com ajuda humanitária em Havana — Foto: YURI CORTEZ / AFP X de 6 Publicidade 5 de 6 Moradores recebem o navio Maguro, que chega do México com ajuda humanitária no porto de Havana. — Foto: YURI CORTEZ / AFP 6 de 6 Moradores recebem o navio Maguro, que chega do México com ajuda humanitária no porto de Havana. — Foto: YURI CORTEZ / AFP X de 6 Publicidade Entre janeiro e julho deste ano, as compras totalizaram US$ 674 milhões (cerca de R$ 3,45 bilhões), quase o valor total das importações previstas para 2025. "Um paradoxo está se desenrolando, algo que poucas pessoas poderiam ter previsto: enquanto Washington implementa algumas das medidas mais duras contra Cuba em décadas, as exportações americanas para a ilha estão batendo recordes históricos", disse à AFP Daniel Torralbas, economista cubano radicado em Londres. Embora Washington mantenha um embargo de petróleo a Cuba, autorizou o setor privado da ilha a comprar combustível este ano. Essas compras cresceram a um ritmo "exorbitante", segundo Torralbas, embora sejam insuficientes para atender às necessidades energéticas do país. Em julho, o governo cubano aprovou a abertura de amplos setores da economia à gestão privada, incluindo serviços anteriormente reservados ao Estado, como postos de gasolina e bancos, como parte de um pacote abrangente de reformas com o objetivo de abrir a economia. Segundo dados oficiais, mais de 15.000 micro, pequenas e médias empresas (MPMEs), autorizadas desde 2021, operam atualmente na ilha e empregam mais de um terço da população economicamente ativa.