As exportações dos Estados Unidos para Cuba dispararam neste ano, à medida que empresas passaram a utilizar uma brecha comercial para enviar combustível, eletrodomésticos, móveis, alimentos e veículos apesar da barreira de sanções imposta pelo presidente Donald Trump. Dados comerciais inéditos mostram uma mudança no fluxo de exportações desde o fim de dezembro, quando Trump começou a intensificar a pressão para forçar mudanças no regime comunista cubano. As exportações americanas para a ilha caribenha até meados de maio já somam quase o triplo de todo o volume registrado em 2025, com predominância de combustíveis. Mais de 350 tanques de diesel e gasolina foram enviados desde fevereiro, quando o governo cubano passou a permitir importações privadas após o governo americano impor um bloqueio de fato ao petróleo destinado à ilha. Remessas para pessoas físicas em alta O aumento das remessas comerciais — principalmente a partir de Miami — monitoradas pela plataforma de dados comerciais ImportGenius oferece uma visão de como Trump está permitindo que Cuba obtenha suprimentos suficientes para evitar um colapso econômico completo. Uma exceção aos controles de exportação do Departamento de Comércio dos EUA, conhecida como “Support for the Cuban People” (“Apoio ao Povo Cubano”), permite que exportadores enviem praticamente qualquer produto desde que seja declarado sob essa categoria, sem a necessidade de licenças burocráticas. A regra, criada para permitir que cubano-americanos enviem bens para familiares na ilha, acaba funcionando como uma forma de contornar o embargo comercial imposto pelos EUA a Cuba em 1960, logo após Fidel Castro assumir o poder. — O que estamos vendo não necessariamente contraria a política do governo — afirmou Pedro Freyre, chefe da área internacional do escritório de advocacia Akerman LLC, sediado em Miami e especializado em assessorar clientes com interesses em Cuba. — A política tradicional dos Estados Unidos é aliviar o impacto sobre o povo cubano enquanto aumenta a pressão sobre o regime. Neste ano, as 3.300 remessas registradas até o início de maio abrangeram uma ampla variedade de produtos — e nem incluem todas as exportações para Cuba, já que parte dos dados alfandegários ainda não foi divulgada. De arroz a caminhões As cargas incluíram dezenas de carros, SUVs, caminhões e motocicletas; centenas de carregamentos de várias toneladas de arroz, açúcar e frango congelado; além de mais de 100 remessas mistas de autopeças, aço, móveis de plástico, colchões, bicicletas e outros bens domésticos. Também houve pelo menos 275 carregamentos de diesel e 82 de gasolina, em sua maioria transportados em chamados tanques ISO, cilindros de aço instalados dentro de estruturas de contêineres marítimos. Cada tanque transporta no máximo 150 barris de combustível — muito menos do que navios petroleiros, capazes de levar até 250 mil barris por viagem. Escassez ainda é dramática Ainda assim, o aumento das exportações americanas está longe de atender às necessidades urgentes de Cuba, um país de 10 milhões de habitantes, que enfrenta escassez de alimentos e combustíveis. Também não está claro quem recebe as mercadorias, já que os nomes dos importadores não aparecem nos dados alfandegários dos EUA analisados pela agência Bloomberg. Há limites para o que o governo Trump está disposto a permitir. Recentemente, uma empresa da Flórida especializada em commodities cancelou planos de enviar o maior carregamento de combustível dos EUA para Cuba desde 1960 após o Departamento do Tesouro americano incluir a estatal petrolífera cubana em sua lista de sanções. Iniciativa privada limitada Trump e o secretário de Estado, Marco Rubio, ampliaram a pressão sobre Cuba neste ano, impondo sanções mais duras, interrompendo o fornecimento de energia proveniente da Venezuela e ameaçando aplicar tarifas a qualquer outro país que envie petróleo bruto para a ilha. Ao mesmo tempo, o governo continua permitindo o comércio com empresas privadas cubanas, abrindo espaço para contornar as entidades estatais que controlam a maior parte da economia do país. A iniciativa privada continua fortemente controlada em Cuba. Ainda assim, já existem mais de 9.200 pequenas e médias empresas autorizadas a operar na ilha e, em 2024, o setor privado superou as empresas estatais nas vendas do varejo pela primeira vez.
Enquanto Trump pressiona Cuba, EUA triplicam exportações para o país: combustível, carros e alimentos escapam do bloqueio
Monitoramento de remessas comerciais monitoradas mostra como o governo americano está permitindo que a ilha obtenha suprimentos suficientes para evitar um colapso







