Grupo privado convoca reunião para quarta-feira (9) com juristas renomados para discutir propostas de reformas na Corte 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes em sessão no STF um dia após divulgação de mensagens entre Vorcaro e Moraes — Foto: Antonio Augusto/STF Um grupo de empresários e executivos de companhias de relevância no PIB nacional e na Faria Lima está articulando um manifesto para discutir a crise do Judiciário, escancarada nos últimos dias após novos episódios envolvendo ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). A crise escalou após o ministro relator do caso do Banco Master, André Mendonça, retirar o sigilo de documentos que revelam comunicação entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, que reagiu pedindo a investigação de Mendonça por abuso de autoridade. Leia mais Na quarta-feira (9), lideranças da indústria e mercado financeiro vão fazer uma reunião no fim do dia com juristas para elaborar propostas de aperfeiçoamentos institucionais no Judiciário, apurou o Valor com fontes a par do assunto. No convite a que a reportagem teve acesso os juristas Miguel Reale Júnior, José Eduardo Cardozo, Maria Tereza Sadek, Patricia Vanzolini e Oscar Vilhena Vieira foram convidados para participar dessas discussões para a formulação de pontos de vistas diferentes em relação à crise da Corte. Na mensagem enviada para dezenas de representantes da indústria e Faria Lima, o grupo de WhatsApp convida os participantes para o debate: “À luz dos acontecimentos recentes, entendemos que a discussão sobre o funcionamento, equilíbrio e o aperfeiçoamento institucional do Judiciário ganhou grande relevância e urgência. Nosso propósito é reunir, em uma conversa reservada e construtiva, importantes lideranças (...) para uma reflexão séria sobre o fortalecimento das instituições brasileiras”. “Está difícil conviver com esta situação do Judiciário. Vamos reunir ideias e buscar uma forma de elaborar um manifesto”, disse um dos organizadores desse fórum, que será por zoom no fim da tarde de quarta-feira (9). Vão participar empresários e representantes de vários setores da indústria e sociedade civil, como Pedro Passos, acionista da Natura, Josué Gomes, da Coteminas, Jackson Schneider, conselheiro de grandes empresas como Abra e CBMM, Pedro Wongtschowski e outros executivos e empresários. A estimativa é a de que entre 50 e 60 pessoas participem do debate. Nos últimos dias, empresários têm se manifestado publicamente a respeito da crise do STF. Sérgio Zimerman, acionista de referência da Petz, disse em um seminário voltado para empreendedores na semana passada que é a favor de a sociedade civil ir para as ruas para demonstrar a indignação em relação à crise da Corte. Ao Valor, Zimerman disse que não tem participado individualmente de manifestos, mas apoia um movimento amplo nesse sentido. “A crise [no STF] está completamente politizada. Sou contra a politização e essa questão não pode ser tratada como uma crise de direita ou de esquerda.” Para Zimerman, a discussão do STF não pode ser vista como um “Fla-Flu” e os fatos e investigações têm de ser discutidos de uma forma mais ampla. “A impressão é que o país está anestesiado e gente não chega a lugar nenhum. Parece que perdemos a capacidade de discutir os fatos. A Justiça não tem lado.” Na Faria Lima, principal corredor financeiro do país, a crise da Corte também está na pauta dos principais representantes. “Todos os empresários estão nessa toada, mas poucos vão ter coragem de se expor”, disse um executivo graduado do setor financeiro. “O país perdeu a institucionalidade, é bem duro, bem difícil. As pessoas não podem falar mais, é a cultura do medo”, afirmou essa fonte sob sigilo. Questionado sobre a razão de não se posicionar publicamente, esse interlocutor disse haver “100% de receio de retaliação”, acrescentando que todos os empresários de todos os setores estão “estarrecidos”. Outra fonte do mercado financeiro, em reação ao embate entre Moraes e Mendonça na noite de quinta-feira (4), disse ver uma crise institucional grave no país. Para ele, todas as revelações do caso Master são “estarrecedoras”, e os freios e contrapesos não estão funcionando como deveriam. Sérgio Zimerman, da Petz — Foto: Ana Paula Paiva/Valor
Empresariado e Faria Lima se mobilizam após crise do Judiciário
Grupo privado convoca reunião para quarta-feira (9) com juristas renomados para discutir propostas de reformas na Corte














