No palco, um monitor de TV reproduz cenas eróticas que remetem ao início de "Paixão Simples", livro em que Annie Ernaux descreve sem pudores a radicalidade de uma relação amorosa. Em seu primeiro solo, Aline Fanju desce e senta na plateia do teatro para ver as imagens ao lado do público, por alguns segundos.
A primeira adaptação brasileira para o teatro de um livro da escritora francesa usa o recurso da quebra da quarta parede como alívio para a obsessão da personagem por A., um homem estrangeiro, mais jovem e casado. Ela dedica a ele todos os seus pensamentos enquanto aguarda a próxima tarde tórrida na cama com o amante.
Fanju é a narradora, a mulher apaixonada e, ao mesmo tempo, a atriz que vive o sonho de um monólogo planejado para ela, informação que é compartilhada com a plateia no início do espetáculo.
O convite veio do produtor Pablo Sanábio, que idealizou um solo para a amiga. Os dois iniciaram a maratona de leituras até encontrar "Paixão Simples".
"Uma mulher em idade madura falando de desejo, de paixão, de resgate de identidade. É um assunto universal, atemporal, que arrebata todas as gerações", diz Fanju.








