A protagonista da peça "A Voz Humana" é alguém que não consegue se fazer entender. Quando fala ao telefone com o ex-marido, ela é confrontada por problemas técnicos que atrapalham a conversa. Em outros momentos, as ligações terminam em brigas devido a mágoas do passado e questões não resolvidas.
Esse enredo criado por Jean Cocteau já ganhou diversas releituras desde que estreou no teatro parisiense Comédie-Française, em 1930. Virou ópera pelas mãos de Francis Poulenc, inspirou filmes de Roberto Rossellini e Pedro Almodóvar, além de um curta-metragem estrelado por Sophia Loren. Agora, a obra ganha uma nova adaptação, desta vez realizada pela companhia teatral Sociedade Arminda.
A produção, rebatizada de "Uma Voz Humana", está em cartaz no Teatroiquè, na zona oeste da capital paulista. "Nessa montagem, a personagem não tenta apenas convencer alguém a ficar, mas há uma tentativa de ouvir a própria voz após tanto tempo vivendo em função de outra pessoa", afirma Larissa Nunes, que estrela o monólogo.
Abandonada pelo marido, a personagem trava embates com ele por uma ligação telefônica interrompida por ecos e ruídos. Em momento algum ouvimos a voz do interlocutor, o que aumenta a sensação de solidão e incomunicabilidade da protagonista.







