PUBLICIDADE Atriz estreia montagem em São Paulo e fala sobre pontos de identificação com a vida de um dos maiores ídolos da França 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Atriz fez imersão no universo de Piaf — Foto: Antropofagia RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 16/07/2026 - 14:59 Laila Garin estrela musical sobre Édith Piaf e celebra 30 anos de carreira Laila Garin, conhecida por interpretar Elis Regina, prepara-se para estrelar o musical "Piaf — Eu não me arrependo" em São Paulo. Com direção de Sérgio Módena, a montagem explora a vida da icônica cantora francesa Édith Piaf, destacando-se por aspectos pouco conhecidos, como sua participação na Resistência Francesa. Laila, que completa 30 anos de carreira, reflete sobre sua sexualidade fluida e liberdade no amor, alinhando-se ao espírito libertário de Piaf. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Para interpretar Elis Regina no musical em homenagem à cantora lançado em 2013, Laila Garin precisou desbancar cerca de 200 candidatas que sonhavam com o papel. A escalação foi um golaço. Logo no início da temporada, ela arrebatou o público com sua interpretação, e os ingressos se esgotavam com três semanas de antecedência. Todos queriam ver a baiana de olhos azuis e cabelos ruivos encaracolados se transformar na Pimentinha. Laila já tinha uma extensa carreira como atriz àquela altura, mas recebeu, com a montagem, as credenciais para o estrelato. Um status que garantiu a ela o convite direto para protagonizar “Piaf — Eu não me arrependo”, seu novo musical que estreia no próximo dia 7, no Teatro Bradesco, em São Paulo, e chega ao Rio em outubro, no Teatro Riachuelo. Dirigida por Sérgio Módena e com texto de Newton Moreno, a montagem é uma produção da Aventura, que tem sucessos como “Hair”, “Chacrinha” e o próprio “Elis, a musical” na cartela. Diretora artística e produtora geral do espetáculo, Aniela Jordan conta ter pensado “imediatamente” no nome de Laila quando o projeto começou a se materializar. “É uma superatriz, com um canto lindíssimo. Tem tudo o que precisávamos para uma obra dramática como esta”, diz Aniela, empolgada com o que já viu nos ensaios. “Fizemos um primeiro ‘corrido’, e todo mundo chorou. Ela incorpora a embocadura da Piaf. É um monstro em cena.” Confira fotos de Laila Garin caracterizada como Édith Piaf 1 de 3 “Piaf — Eu não me arrependo”, seu novo musical que estreia no próximo dia 7, no Teatro Bradesco, em São Paulo, e chega ao Rio em outubro, no Teatro Riachuelo — Foto: Divulgação 2 de 3 Com pai francês e mãe baiana, Laila cresceu ouvindo as músicas da cantora francesa em casa — Foto: Divulgação X de 3 Publicidade 3 fotos 3 de 3 Montagem foge do estigma da mulher que sofreu por amor — Foto: Divulgação Atriz encarna cantora em novo musical O convite para o novo trabalho guarda, ainda, uma doce coincidência do destino. Laila vinha se preparando há anos para propor uma peça sobre a cantora francesa que morreu em 1963, aos 47 anos, e entrou para a História como um dos maiores ídolos de seu país. Com pai francês e mãe baiana, a atriz cresceu ouvindo as canções de Édith Piaf e tem familiaridade com o repertório, mas precisava reunir as “condições emocionais” necessárias para mergulhar na intensa história. Essa força se manifestou justamente no ano em que completa três décadas de carreira e foi acrescida de uma imersão na vida da homenageada, com leituras de publicações, pesquisas em vídeos e até uma visita ao túmulo da artista, em Paris. O mergulho em águas tão profundas deu à atriz, de 48 anos, a dimensão necessária para a abordagem proposta pelo espetáculo, que almeja fugir da pecha da cantora martirizada por paixões avassaladoras e não correspondidas. A narrativa proposta inclui até mesmo aspectos pouco conhecidos da trajetória de Piaf, como a sua colaboração com a Resistência Francesa, durante a Segunda Guerra Mundial. “É a saga de uma heroína, porque ela teve uma trajetória que começou nas ruas, numa miséria muito grande, e terminou como estrela mundial”, comenta Laila. “Uma artista e uma mulher que escolheu fazer o que quis sem se dobrar às convenções. Não se casou, não teve filhos e comandou a própria carreira. Também era livre sexualmente.” Dar conta da personagem, reconhece a atriz, é um “tour de force”, com novos desafios em relação a trabalhos anteriores. “Ela está em cena o tempo todo, é uma narradora. E tem a questão técnica de trazer a voz de Piaf para o português”, comenta. Quanto às músicas, a maior parte será executada em francês, acompanhada por legendas. “São canções muito icônicas. O público vai gostar de ouvi-las no idioma original.” Atriz ganhou notoriedade ao interpretar Elis em musical — Foto: Antropofagia Para além dos aspectos profissionais, não são poucos os pontos de identificação entre a intérprete e a homenageada. “O principal deles é não querer morrer. Faço teatro e sou artista por isso”, comenta Laila. “E, com ela, foi assim. Cantou até cair dura (no palco).” Mas há, acima de tudo, o ímpeto libertário na hora de enfrentar a normatividade. “Até hoje somos marginalizadas por sermos artistas. Há cerca de dez anos, quando era casada com meu ex-marido (o iluminador francês Hugo Mercier), fomos alugar um apartamento, e a dona da imobiliária, ao saber que eu era atriz, me tratou como se fosse uma prostituta.” Uma vez casada, Laila cogitou a maternidade, mas preferiu não levá-la adiante. “É uma pressão tão grande sobre nós, que cheguei a me perguntar se era uma mulher inteira”, recorda-se. “Mas não tenho vontade de ter filhos e nem me arrependo dessa escolha.” As mesmas forças que a fizeram questionar essa inteireza trouxeram dilemas quanto à vida depois da separação, em 2021. “Me vi caindo em discursos convencionais de mulheres mais velhas separadas e condenadas”, diz ela, que é bissexual e tem hoje uma namorada cujo nome prefere não dizer. “Já havia me relacionado com mulheres antes do casamento e voltar a isso acabou sendo um marco de afirmação do quanto somos livres para amar. Precisei desse lembrete.” Mais Piaf, impossível.