A assistente social Nadjane Cristina dos Santos, 33, quase desistiu do trabalho com direitos humanos no ano passado. Ela estava no auge da ansiedade e do cansaço quando se deparou com um edital que propunha pagar férias de mulheres negras.

Nadjane faz parte do coletivo Incomode, organização que atua em territórios do subúrbio de Salvador. No último ano, passou a atender psicossocialmente mulheres vítimas de violência doméstica.

A rotina reacendeu memórias de uma violência que ela mesma sofreu. "Eu estava tentando mudar o mundo, mas esquecendo que também precisava mudar minha casa, meu corpo, meu psicológico", diz a mãe de adolescentes de 16, 14 e 11 anos.

Ao relatar o que passava, Nadjane foi uma das selecionadas na primeira edição do edital Descansa, Nêga, do Agbara —fundo filantrópico de mulheres negras do Brasil.

Ganhou uma viagem de férias com tudo pago e podia levar uma mulher negra como acompanhante. Ela escolheu uma vítima de violência doméstica que atendia e sonhava em conhecer o Rio de Janeiro. Nadjane também queria voltar à cidade que visitara uma vez a trabalho.