Defender a garantia de direitos básicos, ocupar espaços de decisão e conquistar avanços em áreas como educação e saúde são alguns dos desejos expressos por mulheres de diferentes gerações ouvidas pela Folha às vésperas do Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, celebrado neste sábado (25). Além dos sonhos, elas reconhecem desafios a serem enfrentados, como aumentar o engajamento da juventude e dar visibilidade a candidaturas negras.
Ver mais mulheres negras em cargos de poder é um desejo que acompanha a aposentada Sandra Maria Silva, 81, há décadas. Liderança comunitária em Juiz de Fora (MG), ela organiza grupos de formação política voltados a mulheres negras da periferia e reconhece os avanços que o movimento negro alcançou, mas diz que a principal barreira segue sendo a falta de oportunidades.
Para Sandra, muitas permanecem distantes da política porque nunca tiveram chance de compreender o que ela representa ou que o espaço de tomada das decisões também pertence a elas. "Meu maior sonho é ver as nossas ocupando lugares a que nós também temos direito. Mas é um sonho que não acho que verei ser realizado", afirma.
No entanto, Sandra mantém a esperança: "Eu nasci lutando e vou morrer lutando", declara. A mineira diz acreditar que a transformação depende de um trabalho paciente, feito nos bairros e nas comunidades, aproximando as mulheres da política por meio da educação e da troca de experiências.









