Ao se tornarem as primeiras de suas famílias a ingressar no ensino superior e se destacar no mercado formal, mulheres negras sonham com um futuro em que possam desfrutar da vida sem medo da escassez e com segurança para serem elas mesmas.

No Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, a Folha reuniu mulheres de diferentes perfis para perguntar o que elas desejam para a carreira e a vida financeira. A advogada Tulani Hipólito, 26, quer trabalhar em lugares onde veja pessoas negras em posições que valorizem o intelecto.

A servidora pública Heloisa Helena Amâncio, 52, sonha com mais visibilidade. "Quando olham para nós, não enxergam uma pessoa que já estudou e tem experiência. Primeiro olham a cor. Desejo que haja oportunidades para que possamos mostrar nossa capacidade", diz ela, que é mestre em ciências da linguagem pela Unicamp e ouvidora da Universidade Federal de Itajubá, em Minas Gerais.

Filha de empregada doméstica, a executiva de tecnologia Grazi Mendes, 46, nasceu na periferia de Belo Horizonte e viu na faculdade de administração de empresas a chance de se formar: "Por ter estágio desde o primeiro período, seria a possibilidade de realizar o sonho de estudar, mas continuar auxiliando minha família."