0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Gabriela Chaves, economista-chefe do Instituto Nofront — Foto: Divulgação/Neitan Fotos RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 24/07/2026 - 15:56 Instituto NoFront Lança Boletim Econômico com Foco em Gênero e Raça O Instituto NoFront lança boletim econômico para integrar gênero e raça ao debate econômico no Brasil. Fundado por mulheres negras, o instituto visa diversificar a análise econômica, destacando o impacto das políticas sobre mulheres negras, que enfrentam altos níveis de endividamento. Gabriela Chaves, economista do NoFront, critica a falta de diversidade em instituições como o Banco Central, que afeta a interpretação dos problemas econômicos e as soluções propostas. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A premissa de que as decisões econômicas são neutras em relação à raça e ao gênero é uma falácia. Mas que indicadores existem para medir, por exemplo, o impacto da taxa básica de juros sobre as mulheres negras, que aparecem nas estatísticas como o grupo com maior nível de endividamento feminino e arcam com juros que podem chegar a 900% ao ano no cartão de crédito? Dar maior diversidade ao debate sobre a política econômica e monetária brasileira é o objetivo do Instituto NoFront, organização de pensamento estratégico fundada por mulheres negras, que lança neste sábado seu primeiro boletim econômico. A proposta é colocar mulheres negras não apenas como população impactada pelas decisões econômicas, mas também como autoras, pesquisadoras e formuladoras de análises sobre os rumos da economia, destaca o instituto. Para o NoFront, não se trata apenas de defender políticas econômicas com recorte de gênero ou raça, mas de construir uma economia comprometida, desde sua origem, com a equidade, a justiça racial e a redistribuição de poder. Por meio de suas frentes de pesquisa, incidência e educação, o instituto busca fortalecer a produção intelectual de mulheres negras e reposicionar raça, gênero e território no centro do debate econômico. Na avaliação de Gabriela Chaves, diretora de Incidência e Advocacy e economista-chefe do instituto, a baixa diversidade em instituições como o Banco Central e o BNDES faz com que essas organizações não tenham como referência, em suas decisões, a realidade da maior parte da população. Segundo ela, as mulheres negras constituem o maior grupo social do país e continuam sem espaço para influenciar os rumos da política econômica. — A falta de diversidade em instituições como o Banco Central e o BNDES interfere diretamente na forma como os problemas econômicos são interpretados, nas prioridades estabelecidas e nas soluções consideradas possíveis. Como consequência, decisões sobre desenvolvimento podem ser tomadas sem considerar plenamente seus efeitos sobre quem vivencia as desigualdades de forma mais intensa. Gabriela afirma que a articulação de economistas negras é resultado de décadas de luta do movimento negro por políticas afirmativas na educação. Segundo ela, o objetivo do instituto vai além de ampliar a diversidade: busca garantir que quem vivencia as desigualdades econômicas tenha voz e poder nos espaços em que se decide o futuro da economia brasileira. — Graças às políticas afirmativas, acessamos um campo de conhecimento que, além de concentrar muito poder, é majoritariamente dominado por homens brancos e por teorias produzidas no Norte Global. Isso reforça a ideia de que a economia é um saber estritamente técnico, neutro e imune ao debate público. Hoje, por exemplo, o Comitê de Política Monetária conta com apenas uma mulher branca e um homem negro entre seus integrantes. O primeiro passo é fortalecer a produção intelectual de mulheres negras, indígenas e pessoas LBT nas ciências econômicas e democratizar esse debate junto à sociedade civil. Gabriela ressalta que a combinação de juros elevados e preços altos afeta de forma mais intensa as famílias de baixa renda, especialmente aquelas chefiadas por mulheres negras, que continuam registrando os menores rendimentos do mercado de trabalho, apesar dos avanços educacionais das últimas décadas. Na avaliação da economista, quando mulheres negras produzem conhecimento sobre macroeconomia, elas ampliam os parâmetros do debate público. — A economia deixa de ser analisada apenas pelos indicadores tradicionais e passa a incorporar as desigualdades, os territórios, o trabalho, a renda e as estruturas de poder que organizam a sociedade brasileira. Para ela, o atual cenário internacional não explica, por si só, a manutenção dos juros brasileiros em patamar tão elevado. — O cenário global que pressiona os juros não justifica o fato de o Brasil manter a maior taxa real de juros do mundo. Não estamos em guerra, mas sustentamos uma taxa que prejudica a indústria, o comércio e, principalmente, a vida de quem ocupa a base da pirâmide social. É necessário incluir o emprego e o bem-estar social entre as metas perseguidas pelo Banco Central, além de rever os diagnósticos sobre a inflação no Brasil.
Instituto lança boletim com perspectiva de economistas negras. Meta é incorporar gênero e raça aos dados econômicos
Instituto lança boletim com perspectiva de economistas negras. Meta é incorporar gênero e raça aos dados econômicos









