Mostra reúne histórias de lideranças quilombolas, enquanto grupo de trabalho buscará formular políticas públicas para essas comunidades 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha: TJRJ desenvolve ações e iniciativas para mulheres quilombolas — Foto: Reprodução RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 24/07/2026 - 22:16 TJRJ Inicia Ações para Mulheres Quilombolas com Exposição e Grupo de Trabalho O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) lançou iniciativas voltadas para mulheres quilombolas, com a criação de um grupo de trabalho para desenvolver políticas públicas e uma exposição no Museu da Justiça. A mostra "Lideranças Quilombolas do Rio de Janeiro: História e Resistência" visa dar visibilidade a essas comunidades, enquanto o grupo busca mapear e enfrentar obstáculos no acesso à Justiça. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO No Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, celebrado neste sábado, o Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ) marca a data com duas iniciativas voltadas às mulheres quilombolas fluminenses. A corte criou um grupo de trabalho para desenvolver políticas públicas e ampliar o acesso dessas comunidades ao sistema de Justiça e inaugurou, no Museu da Justiça, a exposição "Lideranças Quilombolas do Rio de Janeiro: História e Resistência", que reúne histórias de mulheres que há gerações sustentam a luta pelo reconhecimento e pela preservação dos 54 quilombos oficialmente reconhecidos no estado. Em cartaz até 28 de agosto, no Centro do Rio, a mostra apresenta ao público fotografias e relatos de lideranças que se tornaram referência na defesa de seus territórios, da cultura afro-brasileira e dos direitos das comunidades tradicionais. Para quem vive essa realidade, ocupar um espaço simbólico como o Museu da Justiça representa mais do que uma homenagem: é um reconhecimento histórico. — Essa exposição nos fortalece. Com o apagamento histórico, ficamos muito invisíveis na sociedade, e essa invisibilidade mata. Nossos homens estão morrendo, nossas mulheres estão morrendo. Nossos jovens estão largando o território porque não veem perspectivas. Quando a gente vê o Tribunal de Justiça promovendo isso, colocando os rostos de todas essas mulheres aqui, representando as mulheres quilombolas do Brasil, dentro da Casa da Justiça, isso mostra para a sociedade que não estamos sozinhas — afirma Bia Nunes, coordenadora da Associação Estadual das Comunidades Quilombolas do Estado do Rio de Janeiro (Acquilerj). Além da exposição, o TJRJ instituiu o Grupo de Trabalho Política Quilombola, ligado à Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Coem) e assessorado pelo Núcleo de Promoção de Políticas Especiais de Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar (Nupevid). O objetivo é mapear os principais obstáculos enfrentados pelas comunidades quilombolas para acessar a Justiça e propor medidas que fortaleçam o atendimento a essa população. Exposição e criação de grupo de trabalho para formulação de políticas públicas aproximam Judiciário fluminense delas — Foto: Reprodução Segundo a desembargadora responsável pela iniciativa, a aproximação do Judiciário com os territórios revelou que os desafios enfrentados pelas mulheres quilombolas vão muito além da violência doméstica. — Ao visitar as comunidades e ouvir essas mulheres, percebi que a questão da violência é intensa, mas existem muitas outras demandas, como conflitos fundiários, saúde, educação e transporte. Sem transporte, por exemplo, uma mulher vítima de violência não consegue registrar uma ocorrência ou acessar um serviço de saúde — afirma. O grupo também dará continuidade ao trabalho desenvolvido pelo projeto Dandara, criado pela Coem em parceria com a Acquilerj e a Escola da Magistratura do Estado do Rio de Janeiro (Emerj). A iniciativa promove ações de formação, escuta e acolhimento voltadas às mulheres quilombolas. Hoje, segundo a Acquilerj, cerca de 15 mil mulheres vivem nas comunidades quilombolas fluminenses, o equivalente a aproximadamente 70% da população desses territórios. Para Bia Nunes, elas são as principais responsáveis por manter vivas as comunidades. — A maioria desses territórios é liderada por mulheres. São elas que ficam. Mesmo quando há um homem à frente da luta, são elas que sustentam esse movimento. É igual Dandara. A gente fala de Zumbi dos Palmares e da luta dele, mas Zumbi só foi Zumbi porque teve Dandara ao seu lado. As Dandaras de ontem são as mulheres quilombolas de hoje — diz. Além de ampliar a visibilidade dessas lideranças, a expectativa do Tribunal de Justiça é que o grupo de trabalho sirva como ponte entre as comunidades e o poder público, transformando as demandas identificadas nos territórios em políticas permanentes de acesso a direitos. Serviço Evento: Exposição "Lideranças Quilombolas do Rio de Janeiro: História e Resistência"Local: Museu da Justiça (Rua Dom Manuel, 29, 3º andar, Centro do Rio)Data: até 28 de agostoHorário: segunda a sexta-feira, das 11h às 17hValor: Entrada gratuita