Por mais que não seja uma surpresa, dada a trajetória histórica que nos trouxe ao atual patamar de desigualdades nacionais vigentes, a cruzada empreendida por agentes políticos contra as cotas étnico-raciais, a misoginia e a criminalização do racismo são impressionantes.

Se a proposição de um projeto de lei flagrantemente inconstitucional é, por si, uma afronta à democracia, a insistência em contrariar o pacto federativo para fazer valer uma tese que, além de ferir a Constituição, contraria a fartura de dados e evidências sobre a preponderância do fator étnico-racial na estruturação das desigualdades ultrapassa todos os limites da civilidade, da moralidade e do chamado "espírito republicano".É o caso do novo PL apresentado na Assembleia Legislativa de SC para alterar as regras de acesso a vagas reservadas para cotas raciais nas universidades do estado, nos concursos públicos e nas contratações de professores e técnicos para instituições estaduais.

Para quem ainda não se deu conta, a escravização africana foi um projeto político que instituiu o racismo e estruturou as desigualdades socioeconômicas contemporâneas. Por isso, cotas étnico-raciais são uma medida de reparação e um direito conquistado pelo povo negro.