Ninguém está satisfeito em passar horas nos deslocamentos pelas metrópoles brasileiras. Quem mora em periferias e depende do transporte público sofre mais. E as mulheres, mais ainda.
Saiu uma bela tese de doutorado da UFF (Universidade Federal Fluminense) que aborda a mobilidade na região metropolitana do Rio de Janeiro, sob o ponto de vista das mulheres.
"A (i)mobilidade das mulheres no cotidiano urbano", da pesquisadora Clarisse Cunha Linke, explica como as opções urbanísticas da cidade criaram um abismo entre as regiões centrais e as periferias. A pesquisa destaca como esse histórico de descaso e desigualdade tem impacto direto na mobilidade atual e especialmente no grupo de mulheres de classes sociais mais baixas, moradoras dos subúrbios.
Parte das dificuldades aflige qualquer passageiro: trens e ônibus lotados, caros e mal-cuidados, horários irregulares, atrasos e congestionamentos históricos entre a Baixada Fluminense ou a zona oeste e os bairros centrais do Rio, onde estão os empregos.
Mas, se todo mundo tem que passar por isso, por que o cotidiano das mulheres é pior?








