Exame da OCDE que compara o desempenho de jovens de 15 anos em testes de ciências, matemática e linguagem 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Estudante em sala de aula durante preparação para o Enem — Foto: Léo Martins/Agência O Globo Na terça-feira será divulgada uma nova rodada do Pisa, o exame da OCDE que compara o desempenho de jovens de 15 anos em testes de ciências, matemática e linguagem. Não é preciso bola de cristal para antecipar que o Brasil seguirá distante dos países ricos. Na última edição, em 2022, as médias de estudantes brasileiros permaneceram estáveis num patamar baixo, ao passo que vários países desenvolvidos registraram queda em relação a 2018 e 2015. O Brasil participa desde 2000 do Pisa devido a uma corajosa decisão do ministro Paulo Renato Souza (1945-2011) e da presidente do Inep à época, Maria Helena Guimarães de Castro. A literatura acadêmica é inconteste em apontar o nível socioecomômico das famílias como principal fator a explicar o resultado de alunos em testes padronizados. Sendo um país mais pobre, com níveis de investimento significativamente inferiores, e carregando um atraso histórico muito maior no setor, era esperado que figurássemos nas últimas posições do ranking, composto majoritariamente por nações desenvolvidas. Desde então, o Pisa se ampliou, mas segue concentrado em países ricos, agora acrescidos de um número maior de nações em desenvolvimento. O Brasil chegou a registrar avanços expressivos na primeira década deste século, especialmente em matemática, mas desde então passou a andar de lado, em patamares muito insatisfatórios. Como o Pisa de 2025 aterrissará aqui em plena campanha eleitoral, é provável que alguns diagnósticos simplistas ou equivocados voltem à tona. Um deles joga luz deliberadamente apenas no indicador de percentual do PIB investido em educação, para concluir que gastamos o mesmo que os países ricos e que, por essa razão, deveríamos já ter resultados de aprendizagem semelhantes. Há dois problemas principais nessa análise rasteira. O primeiro é ignorar que esse patamar similar de investimento foi alcançado somente a partir dos anos 2010, e que durante todo o século passado o padrão de investimento aqui (em proporção do PIB) foi sempre inferior. E o segundo é deixar de mencionar que esse investimento no PIB, quando traduzido em gasto por aluno e já considerando o poder de compra da moeda, representa somente um terço do registrado na média da OCDE. Um dos diagnósticos mais repetidos durante a atual campanha eleitoral é a necessidade de ajuste fiscal. Educação e saúde estão na mira, por contarem com pisos garantidos pela Constituição. Deixo o debate sobre diagnósticos e soluções da crise fiscal para as páginas de economia. Do ponto de vista da educação, porém, a decisão de reduzir ou manter o gasto no atual patamar precisa vir acompanhada de um realinhamento de expectativas. Não há dúvida de que é preciso aumentar a eficiência do gasto público em educação. Mas até onde somos capazes de chegar apenas com um salto de eficiência? Não há resposta precisa, mas há pistas. A mais badalada —por justos méritos —rede brasileira, Sobral, aplica em estudantes de escolas públicas um instrumento chamado Pisa para Escolas, que tem a mesma escala da prova internacional. A média de alunos da cidade nesse exame fica um pouco acima da verificada no Brasil, mas segue muito distante do registrado na OCDE. E antes que se argumente que a solução passa por alguma forma de privatização, não nos esqueçamos que, na média, a elite brasileira —salvo pouquíssimas exceções —também se sai muito mal no exame quando comparada com seus pares em outros países. Não há soluções simples, mas o debate público ganhará muito se focarmos no que é realista esperar de resultados no curto e médio prazo, sem vender ilusões.
O Pisa e o debate eleitoral
Exame da OCDE que compara o desempenho de jovens de 15 anos em testes de ciências, matemática e linguagem












