Houve recuo em matemática e leitura, e nota média estagnou. Para piorar, educação é desprezada na eleição 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Estudantes do ensino médio — Foto: Ana Branco Continua decepcionante o desempenho do Brasil no Pisa, o exame de avaliação de jovens de 15 anos realizado a cada três anos pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), medida internacional mais usada para comparar o estágio do ensino médio em mais de 90 países. Em áreas críticas para a economia moderna, como matemática e leitura, houve retrocesso de dois pontos desde 2022. Em matemática, a média caiu de 379 para 377. Em leitura, de 410 para 408. Somente em ciências houve avanço, de 403 para 409. Apesar disso, a média geral do país se mantém estagnada desde 2015, uma péssima notícia para um país com graves deficiências na área de educação. Só três em dez alunos brasileiros conseguem representar matematicamente, sem instruções, uma situação simples, como comparar a distância entre duas rotas alternativas ou converter preços para uma moeda diferente do real. A média na OCDE é de 65%. O percentual de brasileiros que atingem o nível mais alto de conhecimento em matemática é quase nulo, ante 37% em Cingapura, 32% em Taiwan, 23% na Coreia do Sul e 22% no Japão. Outra preocupação no Brasil é a desigualdade no desempenho. Entre 2022 e 2025, aumentou a distância entre a nota dos 10% melhores em matemática e os 10% piores. Em comparação com 2015, a proporção de estudantes de baixo desempenho em matemática não mudou de forma significativa. O mesmo acontece em leitura. Somente em ciências diminuiu quatro pontos. A situação da educação é uma preocupação global. Os resultados do Pisa na maior parte do mundo sofreram queda acentuada em 2022, devido à pandemia. De lá para cá, não houve melhora. Entre os países da OCDE, a média em matemática caiu 22 pontos entre 2015 e 2025, o equivalente a um ano a menos de ensino. Países fora da OCDE que participam do Pisa também registraram declínio. Em leitura, a redução foi ainda maior: 28 pontos na OCDE e 16 pontos nos demais países. Pelo menos em ciências, os resultados têm ficado estáveis. Não há uma única causa. Entre as mais apontadas estão maior dificuldade de concentração dos alunos e a dificuldade dos professores em manter a disciplina. O fato de o Brasil ter se mantido no mesmo patamar nos últimos dez anos, enquanto as médias globais caíram, é prova de que iniciativas positivas têm surtido algum resultado. Mas, no atual estágio da educação e do desenvolvimento brasileiros, evitar a queda não basta. Países como Camboja e Turquia conseguiram elevar em mais de 24 pontos os resultados em matemática, leitura e ciências no mesmo período. São dramáticas as consequências do conhecimento na vida de cada indivíduo e na economia como um todo. Inúmeros estudos comprovam a associação entre nível educacional, geração de riqueza e desenvolvimento social. Nos Estados Unidos, de acordo com estimativa de pesquisadores da Universidade Stanford, se todos os alunos de 15 anos atingissem pelo menos o nível básico de desempenho no Pisa, gerariam mais de US$ 40 trilhões na economia ao longo da vida profissional. Não há cálculo semelhante para o Brasil, mas ninguém duvida de que a melhoria na educação da população teria impacto ainda maior. Ante essa constatação, causa espanto o silêncio dos candidatos a governos estaduais e à Presidência na atual campanha eleitoral sobre seus planos para a educação.